sexta-feira, 10 de outubro de 2014

RESULTADOS DO MEGAESTUDO AWARE, SOBRE AS EXPERIÊNCIAS DE QUASE MORTE, DEMONSTRAM: ELAS NÃO SÃO ALUCINAÇÕES



 
Fonte da imagem: http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=23&t=13739

Fábio José Lourenço Bezerra

            Finalmente foram divulgados os resultados do estudo AWARE (sigla em inglês para consciência durante a ressuscitação), sobre Experiências de Quase-Morte, patrocinado pela Universidade de Southampton, no Reino Unido, com pacientes de 15 hospitais no Reino Unido, nos Estados Unidos e na Áustria.
            A conclusão a que chegou o estudo vai contra as hipóteses formuladas pelos materialistas: As Experiências de Quase-Morte não são alucinações, e merecem mais estudos objetivos, isentos de preconceito.
            Esta conclusão é bastante natural, quando consideramos a quantidade de pesquisas que confirmam ser a nossa alma independente do corpo físico. Muitas, inclusive, já divulgamos neste blog.
            O Dr Sam Parnia, coordenador do estudo, escreveu sobre as conclusões do AWARE no site da Universidade de Southampton. O texto, em inglês pode ser lido através do link:

    Abaixo, extraímos, na íntegra, um artigo postado no site Diário da Saúde (http://www.diariodasaude.com.br). Vejamos:

“09/10/2014
Experiências de quase morte não são alucinações
Redação do Diário da Saúde

O estudo internacional durou quatro anos e envolveu 2.060 casos de parada cardíaca em 15 hospitais.
Veja as principais conclusões publicadas pela equipe:
  • Termos amplamente utilizados, ainda que cientificamente imprecisos, como experiências de quase-morte e experiências fora do corpo podem não ser suficientes para descrever a experiência real da morte.
  • Os temas relacionados com a experiência da morte parecem ser muito mais amplos do que o que tem sido considerado até agora, ou o que tem sido descrito nas chamadas experiências de quase morte.
  • Em alguns casos de parada cardíaca, memórias da consciência visual compatíveis com as chamadas experiências fora do corpo podem corresponder com os eventos reais.
  • Uma elevada proporção das pessoas pode ter experiências vívidas da morte, mas não se lembram delas devido aos efeitos da lesão cerebral ou dos analgésicos sobre os circuitos de memória.
  • As experiências envolvendo o momento da morte merecem investigações [científicas] genuínas sem preconceitos.
Consciência após a morte

Este novo estudo, chamado AWARE (sigla em inglês para consciência durante a ressuscitação), foi patrocinado pela Universidade de Southampton, no Reino Unido, mas envolveu pacientes de 15 hospitais no Reino Unido, nos Estados Unidos e na Áustria.
A grande novidade é que os pesquisadores testaram a validade das experiências relatadas pelos pacientes utilizando marcadores objetivos, para determinar se as alegações de consciência compatíveis com experiências fora do corpo correspondiam a eventos reais ou eram alucinatórias.
Eles afirmam que não há fundamentação científica para chamar as experiências de quase morte ou as experiências fora do corpo de "alucinatórias ou ilusórias", uma vez que são poucos os estudos objetivos sobre essas experiências e que os relatos da experiência fora do corpo foram comprovados em pelo menos um caso.
Com base em sua experiência, e para dar maior validade científica aos estudos futuros, os pesquisadores recomendam que seus colegas concentrem-se nos casos de parada cardíaca, que é considerada biologicamente sinônimo de morte, em vez de estados mal definidos, algumas vezes citados como "quase-morte".

Lembranças mais ricas

Entre aqueles que relataram uma percepção de consciência - 46% do total - experimentaram uma ampla gama de lembranças mentais em relação à morte que não eram compatíveis com o termo comumente usado de experiências de quase morte, incluindo medo e perseguições - os relatos tão comuns de "túneis de luz" não são a maioria.
Apenas 9% teve experiências compatíveis com esse padrão que comumente se fala sobre experiências de quase morte, e 2% apresentaram plena consciência, compatível com experiências fora do corpo, com lembranças explícitas de "ver" e "ouvir" eventos.
Curiosamente, 39% dos pacientes que sobreviveram a paradas cardíacas e puderam ser entrevistados descreveram uma percepção de consciência, mas não tinham qualquer lembrança explícita de eventos.
"Isto sugere que mais pessoas podem ter atividade mental inicialmente, mas então perdem suas memórias após a recuperação, quer devido aos efeitos da lesão cerebral ou dos sedativos sobre as lembranças," explicou o Dr. Sam Parnia, da Universidade Estadual de Nova Iorque (EUA).

Confirmação objetiva

Um dos casos pode ser confirmado graças a gravações realizadas durante a parada cardíaca.
"Isto é significativo, uma vez que tem sido assumido que as experiências em relação à morte são provavelmente alucinações ou ilusões, ocorrendo quer antes de o coração parar ou depois que o coração foi reanimado, mas não uma experiência correspondente a eventos 'reais' quando o coração não está batendo," disse o Dr. Parnia.
"Neste caso, a consciência e o alerta parecem ter ocorrido durante um período de três minutos, quando não havia batimento cardíaco. Isto é paradoxal, já que o cérebro deixa de funcionar normalmente dentro de 20 a 30 segundos depois de o coração parar e não retoma novamente até que o coração seja reanimado. Além disso, as lembranças detalhadas da consciência visual, neste caso, foram consistentes com eventos verificados," disse o cientista.
O pesquisador afirma que a possibilidade de confirmação de apenas um caso é insuficiente para uma conclusão definitiva, e recomenda a realização de "novos estudos objetivos sem preconceitos" com o tema.”

ENDEREÇOS ELETRÔNICOS CONSULTADOS




sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A MEDIUNIDADE DE CHICO XAVIER É ESTUDADA POR UNIVERSIDADE





Fonte da imagem: http://www.alemdaciencia.com/o-codigo-secreto-de-chico-xavier-o-alem-continua-mudo/

O artigo abaixo foi publicado no jornal Correio Fraterno - edição 458 - julho/agosto 2014. Vejamos:

“USP aponta novos rumos para a ciência através da mediunidade

Uma pesquisa pioneira, concluída recentemente na Universidade de São Paulo, investigou em um estudo multidisciplinar através de pós-doutorado a mediunidade de Chico Xavier.
Alexandre Caroli Rocha, especialista em análise textual e Denise Paraná, especialista em elaboração de biografias pelo método de história oral, realizaram estudo sobre o tema em âmbito multidisciplinar e as portas do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP se abriram para a realidade empírica das capacidades mediúnicas, demonstrando a necessidade de um novo entendimento sobre a relação mente – cérebro através de teorias não-reducionistas.Sob a supervisão do professor dr. Francisco Lotufo Neto e do professor dr. Alexander Moreira-Almeida, da Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, o estudo obteve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP. Foram dois anos de pesquisa que resultou em uma série de estudos, cuja divulgação o Correio Fraterno antecipa com exclusividade.
O primeiro artigo acaba de ser publicado pela revista científica internacional Explore, com o título "Investigating the Fit and Accuracy of Alleged Mediumistic Writing: A Case Study of Chico Xavier's Letters" ("Investigando a adequação e a acuidade da alegada escrita mediúnica: um estudo de caso das cartas de Chico Xavier", em tradução livre). Também assina este artigo a doutora Elizabeth Schmitt Freire, da Universidade de Abedeen, na Escócia, pesquisadora que somou esforços com a equipe.
O objetivo do pós-doutorado foi verificar, usando métodos acadêmicos, se na produção das cartas psicografadas de Chico Xavier havia indícios de obtenção 'anômala' de informações, ou seja, se Chico poderia ter acesso àquelas informações que escrevia em suas cartas psicografadas. "Investigamos se aqueles dados objetivos que tantas vezes traziam consolo aos familiares em luto eram verdadeiramente inacessíveis ao médium por vias comuns, ou seja, como por leituras, conversas etc. Além disso, fizemos um amplo levantamento bibliográfico sobre a relação mente – cérebro e a prática da mediunidade", explica Denise Paraná.
Para atingir esse objetivo, os pesquisadores tiveram um longo trabalho. "Era preciso verificar se a eventual fragilidade emocional dos parentes que procuravam consolo nas cartas de Chico os levava à crença de que o falecido era o autor das cartas, ou se havia nas cartas, de fato, registros dos falecidos", explicam os pesquisadores. Por isso, eles investigaram detidamente a veracidade das informações presentes nas cartas, fizeram longas e detalhadas entrevistas e buscaram documentos relativos aos casos estudados em arquivos particulares, acervos de jornais, cartórios etc.
Também compararam nas cartas psicografadas o estilo linguístico, as descrições físicas e de personalidade do autor espiritual (desencarnado) com seus traços quando ainda 'vivo'. Também foi analisado o conjunto de cartas produzidas por Chico Xavier para entender suas principais características, verificando-se o que havia de genérico e subjetivo nas psicografias, "tudo o aquilo que poderíamos aplicar a qualquer situação de morte, mas também aquilo que existia de particular a quem o texto foi atribuído".
Por fim, sistematizaram os dados, analisaram as informações coletadas e produziram artigos. No primeiro deles, já citado, descobriram que dos 99 itens de informações verificáveis, identificados em um conjunto de 13 cartas psicografadas, 98% tinham adequação clara e precisa e não havia nenhum item não adequado. Segundo os pesquisadores, concluiu-se que explicações comuns para tal acuidade de informação, como fraude, acaso, vazamento de informação e leitura fria seriam possibilidades apenas remotamente plausíveis.
Mesmo para os espíritas, que têm convicção na imortalidade da alma, os resultados da pesquisa são surpreendentes. "Sabemos que médiuns são humanos e, portanto, passíveis de erros". O próprio Chico costumava se lembrar disso e gostava de checar com os seus consulentes alguns dados das cartas particulares que psicografava. Entretanto, pesquisas como estas, que nos trazem evidências da sua fantástica capacidade mediúnica são muito bem-vindas. Somadas a outras pesquisas, elas ajudam a ampliar os horizontes da ciência em busca de novos modelos de entendimento da consciência humana e de nosso papel no universo", concluem.
A questão da mediunidade é fato para os espíritas e esse trabalho é uma das formas de sensibilizar a academia para isso, principalmente a comunidade internacional, que ainda desconhece quem foi Chico Xavier.”

ENDEREÇO ELETRÔNICO CONSULTADO

http://www.correiofraterno.com.br/nossas-secoes/71-acontece/1580-usp-aponta-novos-rumos-para-a-ciencia-atraves-da-mediunidade

domingo, 17 de agosto de 2014

MÉTODO UTILIZADO POR ALLAN KARDEC É INVESTIGADO POR UNIVERSIDADE




Fonte da imagem: http://slideplayer.com.br/slide/46222/


O artigo abaixo foi publicado no site do jornal Correio Fraterno - edição 456 - março/abril 2014

“Universidade investiga o método de Kardec

Por Eliana Haddad

Uma defesa de mestrado realizada em 25 de fevereiro pelo historiador Marcelo Gulão Pimentel levou para o Programa de Pós-Graduação em Saúde Brasileira da Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, um tema de interesse para espíritas e não espíritas, ao apresentar na academia o método utilizado por Allan Kardec para a investigação dos fenômenos mediúnicos.
A questão é de suma importância, porque toca em um dos pontos mais debatidos pelos céticos e pelos cientistas materialistas que não consideram o espiritismo ciência, muitas vezes pela falta de estudo e entendimento do método que Kardec buscou desenvolver para obter informações úteis e confiáveis sobre a dimensão espiritual do universo.
A tese teve orientação do professor dr. Alexander Moreira-Almeida e coorientação do professor dr. Klaus Chaves Alberto, respectivamente, coordenador geral e coordenador da área de ciências humanas do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde, que funciona na mesma universidade desde 2006. Participaram da banca examinadora o professor dr. Silvio Seno Chibeni, da Universidade Estadual de Campinas, e o professor dr. Gustavo Arja Castañon, da Universidade Federal de Juiz de Fora.
Marcelo Pimentel concentrou sua pesquisa na leitura e análise de toda obra publicada por Kardec: seus livros e os doze volumes da Revue Spirite: Journal d'Études Psychologiques. Foram também obtidos e analisados documentos originais inéditos de Kardec, em viagem de pesquisa por um mês na França com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais.

Como você analisa a importância de Kardec como pesquisador?

Allan Kardec foi importante, porque desenvolveu pesquisas pioneiras sobre os fenômenos mediúnicos. Ele propôs uma abordagem abrangente das manifestações mediúnicas que ocorriam na metade do século 19. Kardec buscou analisar as principais teorias a respeito do tema e concluiu que a hipótese da existência dos espíritos era aquela que melhor explicava o conjunto dos fenômenos observados.

Em que o método de Kardec se diferencia?

Kardec foi além dos demais pesquisadores, utilizando os médiuns como modo de acesso direto a dados empíricos a respeito do mundo espiritual. Para ele, o mundo relatado pelos espíritos não era metafísico, e sim uma parte do mundo natural ainda pouco explorado. Em diversas passagens da obra de Kardec podemos vê-lo comparando o mundo espiritual com o mundo microscópio. Algumas vezes ele fazia a analogia do médium como um microscópio do mundo espiritual. Kardec também se diferenciava pela busca ativa por informações a respeito dos princípios que integraram o espiritismo. Ele procurava ampliar sua base de dados empíricos utilizando diversos médiuns, muitas vezes desconhecidos uns dos outros. Enfatizava a descrição e a interpretação do conteúdo das mensagens obtidas durante o transe mediúnico, comparando semelhanças e diferenças entre elas em busca de informações úteis que pudessem integrar sua teoria. Kardec dava uma grande ênfase na análise do conteúdo das informações, sendo menos relevante a autoria das mensagens. No decorrer de sua pesquisa, contou com um número cada vez maior de correspondentes que foi de grande importância para a multiplicação dos relatos mediúnicos com os quais ele criou, desenvolveu e reformulou os seus princípios acerca do mundo espiritual. A Revista Espírita foi um espaço destacado de debates com os seus correspondentes, contribuindo para o amadurecimento das ideias a respeito do espiritismo. Pesquisador ativo, Kardec também se utilizava de casos históricos acerca dos fenômenos mediúnicos e também de pesquisas de campo, visitando médiuns e locais onde as manifestações espirituais se davam. Do conjunto de informações obtidas, ele desenvolveu a teoria espírita.

Quais as contribuições que uma melhor compreensão da metodologia do espiritismo pode trazer à ciência?

Pode contribuir para o debate acadêmico acerca dos fenômenos anômalos que envolvem experiências conhecidas como espirituais, psíquicas ou mediúnicas. Investigações históricas não só do método de Allan Kardec, mas também de outros pesquisadores que conduziram pesquisas sobre o tema poderiam retomar teorias e metodologias fomentadoras de novas abordagens empíricas, bem como tornar mais bem conhecida uma longa tradição de investigações no campo da mediunidade. No nosso grupo temos um doutorando, Alexandre Sech Júnior, que está investigando outro pioneiro, William James.
Há um crescente interesse no meio acadêmico sobre as relações entre espiritualidade e ciência. Por quê?
Cada vez mais tem surgido em diversas partes do mundo estudos sobre os impactos positivos da espiritualidade na saúde do ser humano e as suas implicações em diversos ramos da sociedade.

Em sua dissertação, você defende o caráter progressivo da pesquisa de Kardec. Por que isso aconteceu?

Kardec via o espiritismo como uma ciência, portanto passível de ser aprimorada e modificada. Em um primeiro momento, contava com um número restrito de médiuns (cerca de dez), contudo, à medida que esse número foi ampliado, devido à repercussão de sua obra em diversas regiões do mundo, ele passou a recolher uma base maior de dados, o que permitiu o aprofundamento de aspectos de sua teoria. É o que se pode perceber com a leitura do 'Ensaio teórico das sensações dos espíritos', publicado na segunda edição de O livro dos espíritos.
O ensaio é resultado de uma pesquisa que pode ser acompanhada desde a primeira edição de O livro dos espíritos, passando pelas edições da Revista Espírita de 1858 até o mês de dezembro, quando Kardec publica o artigo 'Sensações dos espíritos' em que apresenta suas primeiras conclusões sobre o tema. Este artigo ainda recebe algumas modificações baseadas na análise das informações dadas pelos médiuns entre 1859 e 1860 até a sua publicação na segunda edição de O livro dos espíritos, em 1860.

Você acredita ser necessário retomar os estudos sobre os aspectos históricos e filosóficos das pesquisas científicas sobre as relações entre espiritualidade e saúde?

Sim. Os estudos atuais nesse campo têm tido uma grande repercussão no meio acadêmico e na sociedade em geral. Contudo, pouco se sabe sobre a história dessas pesquisas. Estudos que busquem investigar suas tradições podem fortalecer essa área academicamente e fomentar novos trabalhos.

E na área da metodologia científica? Isso poderia provocar uma revisão de teorias?

Como historiador, é difícil medir o impacto desse estudo na área de metodologia científica. Em seus aspectos históricos, acredito que sim. Apesar da repercussão que o espiritismo teve entre pesquisadores renomados da Europa na segunda metade do século 19, e na história da saúde mental no Brasil, o método de Allan Kardec é pouco conhecido. Acredito que com mais discussões e estudos acadêmicos sobre Kardec e seu método de investigação a academia possa inseri-lo como um dos pioneiros das pesquisas psíquicas, em especial, da mediunidade. O espiritismo não foi suficientemente explorado em seu aspecto metodológico de investigação. Além disso, Kardec não buscou apresentar seus estudos sobre espiritismo no ambiente acadêmico.

Por que Kardec afirmava que o espiritismo não poderia ser enquadrado no mesmo ramo das ciências tradicionais, como a química e a física, mas sim como uma nova ciência?

Kardec oferece diferentes definições do espiritismo enquanto ciência ao longo de sua obra. Uma das mais citadas está na obra O que é o espiritismo? em que ele definiu o espiritismo como "uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal". Nos parece que a principal razão para ele não enquadrar o espiritismo entre as ciências tradicionais diz respeito à delimitação de seu objeto de estudo. Enquanto a física e a química têm como base a investigação da matéria, o espiritismo investiga o ser pensante, o espírito. Além disso, para Kardec, o método quantitativo e os experimentos laboratoriais praticados por essas modalidades científicas não seriam adequadas para a investigação dos fenômenos inteligentes gerados pelo espírito.

O espiritismo continua um 'grande desconhecido', como já observara J. Herculano Pires?

Acredito que falta uma leitura mais criteriosa e aprofundada da obra de Allan Kardec, notadamente em seu aspecto metodológico. Principalmente o conhecimento que pode ser obtido a partir da leitura da Revista Espírita.

Você defendeu que a análise do conteúdo da Revista Espírita pode revelar importantes aspectos da construção teórica e metodológica do espiritismo. Pode dar um exemplo?

Um bom exemplo é o da evolução do entendimento sobre a possessão. No começo, Kardec nega a possibilidade da possessão, como está expresso em O livro dos médiuns (1861). Contudo, no livro A gênese de 1868 ele admitiu a existência da possessão para alguns casos de obsessão. O processo de convencimento de Kardec só pode ser observado na Revista Espírita. Em março de 1862, ele tomou conhecimento de uma série de fenômenos mediúnicos chamados pela imprensa de 'Os possessos de Morzine'. Durante um ano, Kardec publicou uma ampla pesquisa sobre o evento, totalizando seis artigos, onde afirmava ter evocado espíritos por diferentes médiuns, promovendo entrevistas sobre o tema; promoveu estudos do tema com os membros da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas; analisou casos semelhantes registrados na história; comparou com fenômenos semelhantes enviados por seus correspondentes de diferentes lugares; analisou artigos publicados pela imprensa sobre a possessão em Morzine; leu diversos relatórios oficiais e acadêmicos sobre a epidemia de possessão; observou casos de possessão em várias localidades e realizou uma viagem de campo a Morzine para avaliar os casos de possessão. Por fim, os dados analisados contribuíram para que ele, em dezembro de 1863, se convencesse da possibilidade da possessão.

O que você descobriu de novo e como esse material foi utilizado em seu trabalho?

Durante o mês que estivemos na França, tivemos a oportunidade de conversar com diversos pesquisadores acadêmicos, como Marion Aubrée, Guillaume Cuchet e Renaud Evrárd, bem como pesquisadores e estudiosos da história do espiritismo, como Charles Kempf, Jérémie Philippe e Pierre Etienne. Visitamos diversos arquivos públicos e bibliotecas francesas em busca de fontes históricas sobre a vida de Allan Kardec e sobre o espiritismo entre 1857 e 1869. Com a valiosa ajuda de Charles Kempf, visitamos os arquivos da Union Spirite Française et Francophone em Tours, na França, e conseguimos coletar diversas cartas, diplomas e outros documentos que serviram de fontes de informação para a conhecermos melhor a vida de Hippolyte Rivail, onde foi possível constatar a sua vasta erudição como professor, escritor e membro de diversas sociedades científicas. Também conseguimos acesso a algumas cartas do Kardec aparentemente nunca publicadas. Ainda estamos analisando o conteúdo dessas cartas e pretendemos apresentá-las juntamente com a sua análise em um trabalho futuro.

Qual o papel de Kardec, na vinda do Consolador Prometido, com relação à equipe do Espírito da Verdade?

Kardec foi muito mais que um compilador ou secretário dos espíritos na constituição do espiritismo. Ele foi um pesquisador ativo em busca das informações que permitiram que ele constituísse a sua obra. Kardec afirmava que o espiritismo seria o trabalho de uma dupla revelação: a divina ou espiritual, por ter sido a partir das informações dos espíritos que ele teria realizado sua obra, mas também pela revelação científica, onde o seu papel como pesquisador foi fundamental na elaboração dos princípios que compõem o espiritismo.


ENDEREÇO ELETRÔNICO CONSULTADO



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

RECENTE ESTUDO COM MÉDIUNS, ATRAVÉS DE ELETROENCEFALOGRAMA, EVIDENCIA A COMUNICAÇÃO DOS ESPÍRITOS



Fonte da imagem: http://anjodeluz.org/?paged=31

Fábio José Lourenço Bezerra

                No nosso texto anterior “A Reencarnação e a Psicografia Foram Evidenciadas em Mapeamento Cerebral por Tomografia”, tratamos de um estudo feito pelos cientistas Julio Peres, Alexander Moreira-Almeida, Leonardo Caixeta, Frederico Leão e Andrew Newberg, utilizando exames de neuroimagem, (no caso, a tomografia por emissão de pósitrons),  com médiuns enquanto  psicografavam. Transcrevemos abaixo as conclusões do estudo:

“Surpreendentemente, durante a psicografia os cérebros ativaram menos as áreas relacionadas ao planejamento e à criatividade, embora tenham sido produzidos textos mais complexos do que aqueles escritos sem “interferência espiritual”. Para os cientistas, isso seria compatível com a hipótese que os médiuns defendem: a autoria das psicografias não seria deles, mas dos espíritos comunicantes (grifo nosso). Os médiuns mais experientes tiveram menor atividade cerebral durante a psicografia, quando comparada à escrita dos outros textos. Isso ocorreu apesar de a estrutura narrativa ser mais complexa nas psicografias que nos outros textos, no que diz respeito a questões gramaticais, como o uso de sujeito, verbo, predicado, capacidade de produzir texto legível, compreensível etc.”

            Os cientistas Arnaud Delorme, Julie Beischel, Dean Radin, Paul J. Mills, Leena Michel e Mark Boccuzzi também participaram de um estudo com médiuns. Dessa vez, utilizaram o Eletroencefalograma (EEG- aparelho que mede as ondas cerebrais) enquanto os médiuns recebiam comunicações dos Espíritos. Os resultados deste estudo também foram bastante interessantes. Ele foi publicado no site do jornal Frontiers em 20/11/2013, e o artigo completo, em inglês, pode ser acessado neste endereço eletrônico: http://journal.frontiersin.org/Journal/10.3389/fpsyg.2013.00834/full

            Abaixo, transcrevemos parte do artigo, traduzido para o português. Esclarecemos, de início, que o chamado método duplo-cego tem como base a condição de que, durante o experimento, o médium e a pessoa que conhece o falecido não se conhecem, nem entram em contato um com o outro de nenhuma forma. Para receber a comunicação do falecido, apenas o primeiro nome deste é fornecido ao médium. O termo “p <” significa “probabilidade menor que”.  Vejamos:

“Introdução

Os indivíduos que relatam ter comunicação com pessoas falecidas são tradicionalmente chamados de médiuns. Durante uma leitura mediúnica típica, um médium transmite mensagens de pessoas falecidas para os que vivem (ou seja, assistentes). Existem dois tipos de mediunidade: intelectual e física. Na mediunidade intelectual, a comunicação com pessoas falecidas é vivida "através da visão ou audição interior, ou através dos espíritos assumindo e controlando seus corpos ou partes dos mesmos, especialmente... as partes necessárias para a fala e a escrita" (Gauld, 1982, p. 4). Durante a mediunidade física, a experiência de comunicação "prossegue através de eventos físicos paranormais nas imediações do médium" (Gauld, 1982, 4 p.), Que incluiu relatos de vozes independentes, sons de batidas em paredes ou mesas, e movimento de objetos (Fontana, 2005).

A prática da mediunidade vem desde os tempos primitivos, onde os xamãs nas primeiras comunidades forneciam orientações para a tribo através da comunicação supostamente com o mundo espiritual. A mediunidade não é geralmente bem  considerada pelas religiões judaico-cristãs e islâmicas tradicionais, embora seja referida como um verdadeiro fenômeno em textos sagrados (por exemplo, Samuel 28: 1-25, no Antigo Testamento). As sociedades modernas têm visto um aumento recente e intenso no aparecimento de médiuns na cultura popular e um aumento semelhante na prática de médiuns oferecendo seus serviços.

O estudo científico da mediunidade começou no século XIX. Livros como O Livro dos Médiuns publicado por Kardec (1861/2009) popularizou uma abordagem racional para estudar esses fenômenos. Membros das sociedades britânica e americana de Pesquisas Psíquicas, que estudaram a mediunidade no auge do espiritismo no final de 1800, incluído o psicólogo William James, o físico Oliver Lodge, e o fisiologista e ganhador do Nobel Charles Richet. William James observou que o estudo da mediunidade "clama por investigação séria" (citado em Moreira-Almeida, 2012, p. 194) porque, apesar de muitos médiuns terem sido considerados fraudulentos, alguns que foram estudados sob condições estritamente controladas parecia ter genuíno acesso à informação por meios não-comuns.

A investigação científica sobre a mediunidade também tem assistido a uma pequena ressurreição na última década. Uma pesquisa mais recente examinou a veracidade das declarações fornecidas pelos médiuns em condições de duplo e triplo-cegos (por exemplo, Roy e Robertson, 2004; O'Keefe e Wiseman, 2005; Beischel e Schwartz, 2007; Jensen e Cardeña, 2009; Kelly e Arcangel, 2011), bem como a fenomenologia "médiuns (por exemplo, rock and Beischel, 2008;.. Rocha et al, 2009), a psicologia (por exemplo, Roxburgh e Roe, 2011), neurobiologia (eg, Hageman et al, 2010) e do potencial terapêutico das leituras mediúnicas para os enlutados (Beischel et al., no prelo). Pesquisas recentes também confirmaram descobertas anteriores de que a mediunidade não está associada a experiências convencionais dissociativas, patologia, disfunção, psicose, ou imaginação exaltada (Roxburgh e Roe, 2011). De fato, uma grande porcentagem dos médiuns encontrados são indivíduos sadios e socialmente aceitos dentro de suas comunidades (Krippner, 2007; Moreira-Almeida et al, 2007.).

A maioria das pesquisas anteriores sobre este fenómeno tem-se centrado sobre se os médiuns podem realmente comunicar informações precisas em condições cegas, e se suas personalidades desviam-se significativamente a partir de normas da população. Mas pouco se sabe sobre seus processos fisiológicos e eletrocorticais. Os cientistas há muito vêm utilizando a eletroencefalografia para estudar médiuns em estados de transe (profundamente dissociado) (Prince, 1968; Mesulan, 1981; Hughes e Melville, 1990; Oohashi et al, 2002;.. Hageman et al, 2010), mas para nosso conhecimento médiuns  de efeitos intelectuais que não experimentam estados de transe não foram estudados usando essas técnicas. O presente estudo investigou a atividade electrocortical em seis médiuns do tipo intelectual profissionais para explorar duas questões de pesquisa: primeiro, as correlações entre a veracidade das declarações dos médiuns e da sua atividade elétrica do cérebro foram examinados; e em segundo lugar, as diferenças na atividade cerebral dos médiuns foram estudadas quando intencionalmente foram provocados quatro estados subjetivos: percepção, recordação, raciocínio e comunicação (como descrito abaixo).”

“Durante as práticas meditativas avançadas, percepções incomuns podem surgir, incluindo a sensação de receber informações sobre pessoas desconhecidas que estão falecidas. Tal como acontece com a meditação, este estado mental de comunicação com o falecido envolve vibração mental calmante e tornando-se receptivo aos sentimentos e sensações sutis. Dados de eletrofisiologia psicométricas do cérebro foram coletados de seis pessoas que tinham relatado anteriormente informações precisas sobre pessoas falecidas sob condições de duplo-cego. Cada participante do experimento realizou duas tarefas com os olhos fechados. Na primeira tarefa, foi fornecido ao participante apenas o primeiro nome de uma pessoa falecida e foram feitas 25 perguntas a ele. Depois de cada pergunta, o participante foi convidado a captar silenciosamente informações relevantes para a questão por 20 s e, em seguida, responder verbalmente. As respostas foram transcritas e, em seguida, a exatidão delas foi avaliada por pessoas que conheciam as pessoas falecidas. Dos quatro médiuns cuja precisão pôde ser avaliada, três tiveram resultados significativamente superiores (p < 0,03). A correlação entre a precisão e a atividade cerebral durante os 20s de comunicação mediúnica em silêncio foi significativa na teta frontal para um participante (p < 0,01). Na segunda tarefa, os participantes foram convidados a experimentar quatro estados mentais durante 1 minuto cada: (1) a pensar em uma pessoa viva conhecida, (2) a ouvir uma biografia, (3) a pensar em uma pessoa imaginária, e (4) interagir mentalmente com uma pessoa falecida conhecida. Cada estado mental foi repetido três vezes. Diferenças estatisticamente significativas para p < 0,01 após correção para comparações múltiplas em atividade electrocortical entre as quatro condições foram obtidos em todos os seis participantes, principalmente na banda gama (que pode ser devido à atividade muscular). Estas diferenças sugerem que a impressão de se comunicar com o falecido pode ser um estado mental diferente distinto do pensamento comum ou imaginação.”

“Tal como para os dados de imagem do cérebro, os nossos resultados para o médium 1 também são consistentes com a literatura anterior. Atividade em áreas frontais demonstradas com fMRI tem sido associada com estados espirituais de transe (Jevning et al, 1996;. Beauregard e Paquette, 2006). A diminuição do ritmo teta frontal mediano pode indicar a diminuição do envolvimento de trabalho dos circuitos neurais de memória (Onton et al., 2005), que por sua vez pode ser consistente com um meio de acesso a um estado mental receptivo. Nós, portanto, argumentamos que esses resultados poderiam refletir genuína transferência anômala de informações e justificaria tentativas de replicação com este médium.”

“Conclusão

Para concluir, acreditamos que os resultados para o médium 1, correlacionando sua precisão nas respostas com a atividade electrocortical, qualifica-se como um achado robusto. Os resultados referentes a diferenças nas bandas de ondas gama entre os diferentes estados mentais permanece intrigante como a diferença gama observamos parece surgir, pelo menos em parte, a partir dos olhos ou atividade muscular. A caracterização da natureza exata desta diferença na banda de frequência gama, e avaliar se qualquer dessa atividade se origina a partir do cérebro, pedem pesquisas adicionais. Tomados em conjunto, os resultados do estudo sugerem que a experiência de se comunicar com o falecido pode ser um estado mental diferente que não é coerente com a atividade cerebral durante o pensamento comum ou a imaginação.”

“Os cientistas Arnaud Delorme, Julie Beischel, Dean Radin, e Paul J. Mills projetaram o estudo. Julie Beischel recrutou e treinou os médiuns participantes. Mark Boccuzzi recrutou e treinou os participantes sitter. Julie Beischel, Leena Michel, Dean Radin, e Arnaud Delorme recolheram os dados de EEG e psicométricos. Julie Beischel, Mark Boccuzzi, e Arnaud Delorme analisaram os dados psicométricos. Julie Beischel e Arnaud Delorme analisaram os dados de precisão. Arnaud Delorme analisaram ​​os dados de EEG. Arnaud Delorme e Julie Beischel escreveram o manuscrito. Dean Radin e Paul J. Mills editaram o manuscrito.”

            Como podemos verificar, através do uso da tecnologia nos estudos com médiuns, a comunicação com os Espíritos está sendo, cada vez mais, comprovada. Neste estudo, pôde-se evidenciar que, durante a comunicação, o médium não está usando sua imaginação e nem o seu raciocínio para simular, consciente ou inconscientemente, a mensagem do falecido. Apenas torna-se receptivo ao pensamento deste.

ENDEREÇO ELETRÔNICO CONSULTADO: