segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

EVOLUÇÃO: A JORNADA DO ESPÍRITO

Fonte da imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_da_evolução



Fábio José Lourenço Bezerra

            Olhando ao nosso redor, constatamos grandes diferenças intelectuais e morais entre as pessoas. Algumas, independentemente do meio em que nasceram e foram criadas, demonstram uma impressionante inteligência, muitíssimo acima da de seus parentes, tendo grande habilidade em determinada área do conhecimento (ver o texto Um Dia, O Bem Reinará na Terra? – Parte 2, neste blog). Outras demonstram inteligência mediana ou modesta.
 Todos os dias, muitas pessoas realizam trabalho voluntário, dedicando-se a ajudar o próximo. Podemos, inclusive, citar pessoas que dedicaram toda sua vida em prol do semelhante, como Madre Tereza de Calcutá, irmã Dulce e Chico Xavier (Ver o texto O Bem: Elevado Estado de Consciência do Espírito, neste blog). Já outras demonstram indiferença ou até satisfação perante o sofrimento de outras pessoas, como Adolph Hitler, os assassinos em série, etc.. E isto considerando que o sentimento, responsável pelo seu comportamento, em muitos dos que citamos acima, brotam espontaneamente dos seus corações, não sendo simples escolhas. Possuem tendências para o bem ou para o mal, independentemente da educação que receberam ou da índole dos seus parentes.
Por que somos tão diferentes uns dos outros, intelectual e moralmente? Considerando que possuímos uma alma imortal, responsável pela nossa personalidade, e que fomos criados ao mesmo tempo que o nosso corpo, como poderíamos considerar que a inteligência que nos criou - Deus - é justo?
A resposta para essa pergunta é simples: se Deus é justo, a alma não foi criada ao mesmo tempo que o corpo. Ela é anterior a ele. Vejamos o que disse Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”, Capítulo V, título – CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS:
“[...] Admitamos, ao contrário, uma série de progressivas existências anteriores para cada alma e tudo se explica. Ao nascerem, trazem os homens a intuição do que aprenderam antes: são mais ou menos adiantados, conforme o número de existências que contem, conforme já estejam mais ou menos afastados do ponto de partida. Dá-se aí exatamente o que se observa numa reunião de indivíduos de todas as idades, onde cada um terá desenvolvimento proporcionado ao número de anos que tenha vivido. As existências sucessivas serão, para a vida da alma, o que os anos são para o do corpo.”
“[...] Haverá alguma doutrina capaz de resolver esses problemas? Admitam-se as existências consecutivas e tudo se explicará conformemente à justiça de Deus. O que não se pôde fazer numa existência, faz-se em outra. Assim é que ninguém escapa à lei do progresso, que cada um será recompensado segundo o seu merecimento real e que ninguém fica excluído da felicidade suprema, a que todos podem aspirar, quaisquer que sejam os obstáculos com que topem no caminho.”
E no livro "A Gênese", Capítulo III, partes 5, 6 e 7, ele diz:

"[...] Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o exercício da sua inteligência, de todas as suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitá-los. Se ele nada houvesse de temer, nenhuma necessidade o induziria a procurar o melhor; o espírito se lhe entorpeceria na inatividade; nada inventaria, nem descobriria. A dor é o aguilhão que o impele para a frente, na senda do progresso.
Porém, os males mais numerosos são os que o homem cria pelos seus vícios, os que provém do seu orgulho, do seu egoísmo, da sua ambição, da sua cupidez, de seus excessos em tudo. Aí a causa das guerras e das calamidades que estas acarretam, das dissenções, das injustiças, da opressão do fraco pelo forte, da maior parte, afinal, das enfermidades.
Deus promulgou leis plenas de sabedoria, tendo por único objetivo o bem. Em si mesmo encontra o homem tudo o que lhe é necessário para cumprí-las. A consciência lhe traça a rota, a lei divina lhe está gravada no coração e, ao demais, Deus lhe lembra constantemente por intermédio de seus messias e profetas, de todos os Espíritos encarnados que trazem a missão de o esclarecer, moralizar e melhorar e, nestes últimos tempos, pela multidão dos Espíritos desencarnados que se manifestam em toda a parte. Se o homem se conformasse rigorosamente com as leis divinas, não há duvidar de que se pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra. Se assim não procede, é por virtude do seu  livre-arbítrio: sofre então as consequências do seu proceder.
Entretanto, Deus, todo bondade, pôs o remédio ao lado do mal, isto é, faz que do próprio mal saia o remédio. Um momento chega em que o excesso do mal moral se torna intolerável e impôe ao homem a necessidade de mudar de vida. Instruído pela experiência, ele se sente compelido a procurar no bem o remédio, sempre por efeito do seu livre-arbítrio. Quando toma melhor caminho, é por sua vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro. A necessidade, pois, o constrange a melhorar-se moralmente, para ser mais feliz, do mesmo modo que o constrangeu a melhorar as condições materiais de sua existência."

Deus destinou aos Espíritos a suprema felicidade, esta sendo fruto da plena sabedoria, da comunhão entre eles e com o Criador. Contudo, quis Deus que este ser aprendesse, logo de início, os valores da humildade e do trabalho: criou-o simples e ignorante, tendo que conquistar a sabedoria através de muito esforço, para dar valor à mesma. Assim, o mérito pela sabedoria adquirida é todo seu.
Dando meios de aprendizado para o Espírito, além do Mundo Espiritual, criou o Mundo Material. Aqui, ele recebe como veículo o corpo físico, frágil e perecível, capaz de lhe transmitir dor, que ele tem de sustentar com o trabalho (o seu corpo e daqueles que dependem dele, como no caso dos filhos), e onde ele está, temporariamente, esquecido de sua condição de Ser Imortal. Assim, na luta pela sobrevivência, pela fuga do sofrimento e em busca de prazer e conforto, ele é impelido a desenvolver sua inteligência e emoções.
Contudo, estagiar uma única vez no mundo material é insuficiente, pois múltiplas devem ser as experiências a que tem de se submeter o Espírito, a fim de se desenvolver, da mesma forma que um estudante tem de passar por várias séries na escola, para a conclusão do seu curso. Dessa forma, são inúmeras as vezes em que ele se reveste de um corpo físico, ou seja, reencarna.
É no mundo material que os Espíritos põem em prática as idéias e resoluções que tiveram no mundo espiritual, no intervalo entre as encarnações e também, muitas vezes, durante o sono, quando estão parcialmente desprendidos do corpo físico. Estas surgem para eles, enquanto encarnados e despertos, na forma de intuições e tendências, que os impelem a executá-las. A tarefa, de nos aconselhar e lembrar, através da inspiração, dos compromissos assumidos no mundo espiritual, também fica a cargo dos bons Espíritos, especificamente aqueles que se encarregaram de nos tutelar em nosso aprendizado e nos proteger.  São os Espíritos protetores e guias espirituais, popularmente conhecidos como anjos da guarda. Contudo, nem sempre acatamos suas sugestões, envolvidos que ficamos pelo mundo material.
Conforme já mencionamos acima, as fontes da suprema felicidade do Espírito, além da plena sabedoria, são a comunhão com seus irmãos e com Deus. O Criador, dessa forma, criou os Espíritos interligados entre si. Quando um deles faz algum malefício ao outro, é como estivesse sendo feito consigo próprio, pois se reverterá para ele, obedecendo à Lei de Causa e Efeito. Dessa forma, o egoísmo é um sentimento ilusório, característico de Espíritos ainda bastante inexperientes.
Cansados de sofrer, devido às conseqüências da prática de malefícios e excessos de toda ordem, e constatando a fragilidade e transitoriedade dos bens e prazeres materiais, os Espíritos, finalmente, convencem-se de que o caminho para a felicidade plena e duradoura está no cultivo, em si mesmo, de valores de vida eterna. O amor ao próximo, a humildade e o total desapego do mundo material proporcionam-lhes grande leveza e paz interior. A harmonia e a união entre eles, em total sintonia uns com os outros, e a satisfação com a prática do bem, constitui-se em fonte de incomensurável alegria. O imenso intelecto, construído ao longo das várias vidas pelas quais passaram, dá-lhes uma visão de conjunto que lhes permite admirar a perfeita obra do Criador de forma muito mais completa. Nesse estágio, são capazes até mesmo de receber as inspirações diretas de Deus.
Contudo, Deus não lhes destinou à inatividade, a ficar eternamente em contemplação (aliás, isso seria uma verdadeira tortura para os Espíritos. Um tédio eterno). Conforme o grau de evolução intelectual e de maturidade moral, Ele lhes atribui tarefas, que executam com grande satisfação. São inúmeras as tarefas destes Espíritos, que vão desde auxiliar diretamente o aprendizado dos menos experientes, até a criação e o governo de universos, de mundos e das mais variadas formas de vida material. Como nos diz o Espírito André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier: ”Quando o servidor está pronto, o serviço aparece”.
Conforme o exposto acima, devemos cultivar em nós, pouco a pouco, na medida de nossas possibilidades, os valores de vida eterna, aqueles que não se destroem, nos fortalecem e encorajam diante da morte, da velhice, das doenças, da escassez de bens materiais, enfim, diante de todas as mazelas do mundo material. Dessa forma, já nesta existência, adquirimos uma felicidade relativa, também nos livrando das torturas morais provocadas pela inveja, pelo ciúme, pelo orgulho ferido, pela vaidade frustrada, pelos desentendimentos e a ansiedade por adquirir bens materiais e poder. Criamos para nós, muitas vezes, falsas necessidades, muito acima do que realmente é necessário para a nossa vida, e devido a isso nos atormentamos voluntariamente.
Auxiliando o próximo, obtemos a alegria de sermos úteis a alguém. Sim, podemos nos sentir felizes com a felicidade dos outros. Podem atestar este fato aqueles que realizam trabalho voluntário, os que dedicam parte de seu tempo, seus recursos intelectuais e financeiros para ajudar as pessoas. Fazer o bem faz bem, sendo a aquisição desta forma de felicidade apenas uma questão de desenvolvimento de potencialidades adormecidas em nossa alma.
Além disso, todos nós somos irmãos em Deus, e é nosso dever nos ajudarmos mutuamente. Tudo o que fizermos de mal, conscientemente, aos nossos irmãos, ou toda a ajuda que deixarmos de prestar e, por conta disso, eles sofrerem, este mal se voltará contra nós, obedecendo à Lei de Causa e Efeito, conforme já mencionamos acima. Podemos não sentir enquanto estamos no corpo físico, mas, após a morte, temos nossa sensibilidade bastante aumentada, e é outro o nosso ponto de vista. Nossas imperfeições, quando estamos no mundo espiritual, são, para nós, como nódoas, manchas em nosso Espírito, que repercutem em nosso corpo espiritual de diversas formas. O sentimento de culpa, advindo de nossos erros, castiga nossa consciência (muitas vezes de forma bastante violenta), que necessita, para seu alívio, reparar o erro cometido. Esta reparação é feita, muitas vezes, em encarnações onde nos comprometemos a fazer o bem, ajudando aqueles a quem fizemos mal, ou a outras pessoas, ou voltamos para sofrer da mesma forma que aqueles a quem prejudicamos. Tal mecanismo não possui caráter de castigo, mas tão somente educativo, para modificar as disposições íntimas do Espírito, que, sabendo aproveitar as reflexões aí proporcionadas, avança muito na sua evolução moral.
Os hábitos é que fazem da pessoa o que ela é. Nossa personalidade é o somatório de tudo aquilo que adquirimos ao longo desta vida e nas anteriores. Bem sabemos que modificar nossas tendências não é nada fácil. Contudo, nossa reforma íntima deve ser realizada pouco a pouco, na medida de nossas possibilidades. A prática do bem ao nosso semelhante possui fundamental importância nesse processo, pois, através dela, com o tempo, adquirimos o hábito de fazer o bem. O que inicialmente sentimos como uma obrigação passa a ser algo muito natural, incorporado que fica à nossa personalidade.
Os Espíritos da codificação disseram a Kardec, na pergunta nº 908 de “O Livro dos Espíritos”, que nossas emoções são como um cavalo, que só é útil quando governado, e se torna perigoso quando passa a governar. Ou seja, nossas emoções são as forças que nos impulsionam, nos dão ânimo, mas cabe à nossa inteligência dar o rumo certo para nossos pensamentos e atitudes.
 Já o Cristo nos aconselhou a orar e vigiar para não cairmos em tentação. Ou seja, nossa mudança, rumo à melhoria de nós mesmos, é exercício constante. Devemos vigiar sempre nossa atitude íntima, para não cairmos no erro, solicitando sempre a inspiração dos benfeitores espirituais.
Cabe a cada um de nós a realização da reforma íntima, eliminando gradualmente nossas imperfeições, para que sejamos felizes, educarmos nesse sentido os nossos filhos e darmos o exemplo a eles e ao nosso próximo, inspirando-os, dessa forma, a fazerem o mesmo.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

1 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: princípios da doutrina espírita. 76. ed. Rio de Janeiro: FEB, [1995].
2 _______________. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 3.ed. São Paulo: Petit, [1997].

3________________.A Gênese: Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1988;

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O QUE O ESPIRITISMO NOS DIZ SOBRE O CARNAVAL?


Fonte da imagem: http://atriomental.blogspot.com.br/2012/02/carnaval-decadencia-da-moral-humana.html

Fábio José Lourenço Bezerra

            Conforme já tratamos no texto Os Espíritos Influenciam Nossas Vidas?, neste blog, os Espíritos desencarnados são atraídos pelos nossos pensamentos, podendo simpatizar-se com nossos gostos e comportamentos. Aqueles que ainda não se desapegaram dos vícios enquanto estavam encarnados, como pelo álcool, as drogas, o sexo desregrado, etc., podem juntar-se a nós e nos estimular à prática desses vícios mais e mais, para que eles, através de nós, possam desfrutar desses maus hábitos, levando-nos a caminhos muitas vezes tenebrosos e, até mesmo, criminosos. O mesmo acontece no carnaval, onde muitas pessoas procuram cometer todo tipo de excessos.
O carnaval, em si, é uma bonita manifestação cultural, quando tiramos os exageros e a apelação à sexualidade. O problema é a intenção daqueles que participam da festa, e as tentações a que ficam expostas. Nessa época, uma massa de desencarnados viciosos mistura-se aos foliões, criando uma pesada psicosfera em torno dos focos de folia. Aquelas pessoas que, durante a folia, não mantiverem pensamentos equilibrados, podem sofrer péssimas influências.
Abaixo, transcrevemos um texto psicografado por Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, extraído da obra “Entre os Dois Mundos”, Capítulo 4, que trata justamente da atuação desses Espíritos durante o carnaval:


 (...). Em face dos desconcertos emocionais que os exageros festivos produzem nas criaturas menos cautelosas, há uma verdadeira infestação espiritual perturbadora da sociedade terrestre, quando legiões de Espíritos infelizes, ociosos e perversos, são atraídas e sincronizam com as mentes desarvoradas. Nesse período instalam-se inumeráveis obsessões coletivas que entorpecem multidões, dizimam existências, alucinam valiosos indivíduos que se vinculavam a formosos projetos dignificadores.
 A seguir, convocou-nos a visitar uma das capitais brasileiras próxima, na qual a explosão de alegria popular, num denominado festival de verão, era ampliada pelo abuso do álcool, das drogas e do sexo desvairado. Imediatamente vimo-nos em movimentada artéria praiana, feericamente adornadas, na qual centenas de milhares de pessoas entregavam-se ao desbordar das paixões.  A música ensurdecedora atordoava a massa informe, compacta e suarenta que se agitava ao ritmo alucinante, enquanto era estimulada por especialistas na técnica de agitação popular.
Acurando a vista, podia perceber que, não obstante a iluminação forte, pairava uma nuvem espessa onde se agitava outra multidão, porém, de desencarnados, mesclando-se com as criaturas terrestres de tal forma permeada, que se tornaria difícil estabelecer fronteiras delimitadoras entre uma e outra faixa de convivência. A nudez predominava em toda parte, os movimentos sensuais e eróticos dos corpos com abundante transpiração exsudavam o forte cheiro das drogas ingeridas ou injetadas, produzindo estranho quanto desagradável odor às nossas percepções.
 No pandemônio natural que se fazia, esses espíritos, perversos uns, exploradores outros, vampirizadores em número expressivo, exploravam seus dependentes psíquicos em lamentável promiscuidade, submetendo-os a situações deploráveis e a prazeres grosseiros que nos chocavam, apesar da nossa larga experiência em relação a conúbios dessa ordem... Eu imaginava, como é possível que o ser humano destes formosos dias de cultura, de ciência e de tecnologia, se permitiam tantas sensações selvagens e irresponsáveis!
 O desfile parecia não ter fim, sempre aturdido pelos conjuntos musicais de textura primitiva, que os hipnotizavam, impedindo o discernimento. Era compreensível que se permitissem todos os tipos de lascívia e de perversão, já que a multidão era um corpo uniforme, no qual as pessoas não dispunham de espaço para a livre movimentação, ensejando a confusão dos sentidos e a mescla absurda dos atritos físicos.
Tratava-se, porém, do culto à deusa Folia, numa enxurrada física e psíquica das mais vulgares e pervertidas, em cujo prazer todos entregavam-se ao olvido da responsabilidade, ao afogamento das mágoas e à liberação das paixões primitivas. Jovens e adultos pareciam haver perdido o direcionamento da razão, deixando-se enlouquecer pelo gozo exagerado, como se tudo ficasse centralizado naquele momento e nada mais houvesse após.
 Criminosos de várias classes misturavam-se aos foliões esfuziantes e tentavam furtá-los, roubá-los, agredindo-os com armas brancas, ao tempo em que psicopatas perversos utilizavam-se da confusão para darem largas aos distúrbios que os assinalavam. Altercações e brigas violentas, que culminavam em homicídios infelizes, misturavam-se aos disparates da festa que não cessava, porque, naquela conjuntura, a vida era destituída de significado e de valor.
 Não saíra da perplexidade em que me encontrava, quando o irmão Petitinga veio em meu auxílio, comentando:
- Passada a onda de embriaguez dos sentidos, os rescaldos da festa se apresentarão nos corpos cansados, nas mentes intoxicadas, nas emoções desgovernadas e os indivíduos despertarão com imensa dificuldade para adaptar-se à vida normal, às convenções éticas, necessitando prosseguir na mesma bacanal até a consumpção das energias.
 “Amolentados pelas extravagâncias, saudosos da luxúria desmedida e ansiosos por novos acepipes, tentarão transformar todas as horas da existência no delírio a que ora se entregam... Tentarão investir todos os esforços para que se repitam os exageros, e porque as loucuras coletivas fazem-se com certa periodicidade e eles dependem desse ópio para esquecer-se de si mesmos, passam a viver exclusivamente o dia-a-dia do desequilíbrio em pequenos grupos, nos barzinhos, nos guetos e lugares promíscuos, nos subterrâneos do vício onde se desidentificam com a vida, com o tempo e com o dever.
“Tornando insuportável a situação de cada uma dessas vítimas voluntárias do sofrimento futuro, os parasitas espirituais que se lhes acoplam, os obsessores que os dominam, explorando suas energias, atiram-nos aos abismos da luxúria cada vez mais desgastante, do aviltamento moral, da violência, a fim de mantê-los no clima próprio, que lhes permite a exploração até a exaustão de todas as forças.”
 “É muito difícil, no momento, estancar-se a onda crescente da sensualidade, do erotismo, da depravação nas paisagens terrenas, especialmente em determinados países. Isto porque, as autoridades que governam algumas cidades e nações, com as exceções compreensíveis, estão mais preocupadas com a conquista de eleitores para os iludir, do que interessadas na sua educação.
 "A educação, que liberta da ignorância, desperta para o dever e a conscientização das massas, não sendo de valor para esses governantes, porque se o povo fosse esclarecido os desapeava do poder de que desfrutam, em face da claridade mental e do discernimento. Reservam então altas verbas para serem aplicadas no desperdício moral, disfarçando as doações sob a justificativa de que se trata de utilização para o lazer e a recreação, quando estes são opostos aos exageros dos sentidos físicos. Mais recentemente, foram encontradas outras explicações para a legalização das bacanais públicas, sob os holofotes poderosos da Mídia, como sejam as do turismo, que deixa lucros nas cidades pervertidas e cansadas de luxúria."
 É certo que atraem os turistas, alguns para observar os estranhos comportamentos das massas, que têm em conta de subdesenvolvidas, de atrasadas, de primitivas, permanecendo em camarotes de luxo, como os antigos romanos contemplando as arenas festivas, nas quais os assassinatos legais misturavam-se às danças, às lutas de gladiadores e ao teatro fescenino... Outros, para atenderem aos próprios tormentos, malcontidos, que podem ser liberados com total permissão, durante os festejos incomuns. E outros, porque necessitam de carnes novas para o comércio sexual, especialmente se está recheado de crianças vendidas por exploradores hábeis e pais infelizes."
“Por outro lado, os veículos de informação de massa exaltam o corpo, fomentam as paixões sensoriais, induzindo as novas gerações e os adultos frustrados ao deboche, ao fetiche das sensações, transformando a sociedade em um grande lupanar."
 “Não é do meu feitio entretecer considerações que possam tornar-se críticas destrutivas, mas havemos de convir que, sobreviventes que somos da morte, não podemos deixar de considerar que os enganos foliões de hoje serão os desencarnados tristes de amanhã, queiramos ou não, sendo de lamentar-se a situação na qual despertarão após a perda do corpo físico.”
 “Só a educação, em outras bases, quando a ética e a moral renascerem no organismo social, irá demonstrar que para ser feliz e para recrear-se, não se torna imperioso o vilipêndio do ser, nem a sua desintegração num dia, esquecendo-se de sua eternidade”. Nesse comenos, o nosso condutor convidou-nos para a primeira tarefa que se iniciara naquela cidade mesmo, embora o som terrível e flagelador da música agressiva e da algazarra dos seus aficionados.”
           

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

1  KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro : Editora FEB,1995.;

2 FRANCO, Divaldo Pereira; MIRANDA; Manoel Philomeno de (Espírito). Entre os dois mundos. 


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

ABRAHAN LINCOLN ENTRAVA EM CONTATO COM OS ESPÍRITOS

Fonte da imagem: http://kurtpensar-gil.blogspot.com.br/2011/09/charutos-lincoln-kennedy-e-espiritismo.html

Fábio José Lourenço Bezerra

Ainda nos dias de hoje, o ex-presidente dos Estados Unidos, Abrahan Lincoln, é muito admirado naquele país. Sendo filho de um carpinteiro, formou-se em advocacia e conseguiu a presidência. Contudo, isso se deu em um momento conturbado, quando a guerra dividia o país em dois. Apesar das circunstâncias, corajosamente, decretou o fim da escravidão no ano de 1863.
No entanto, seus biógrafos omitiram certos fatos da vida desse grande homem, que foram de grande importância não só para a história do Espiritismo, como também para o destino dos Estados Unidos, como veremos a seguir.
O autor Wallace Leal Rodrigues, após uma intensa pesquisa em documentos, livros e jornais, escreveu o livro “Sessões Espíritas na Casa Branca”, que inclui o texto da médium norte-americana Nettie Colburn Maynard, amiga de Lincoln, e declarações de um conhecido do ex-presidente, o coronel do exército Simon P.Kase. Nesse livro, podemos tomar conhecimento das várias sessões mediúnicas realizadas com a presença de Lincoln, algumas na Casa Branca, onde ocorreram fenômenos de efeitos físicos e incorporação de Espíritos (Ver o texto O Que São Médiuns?, neste blog). Por exemplo, houve a levitação de um pesado piano. O ex-presidente, através da mediunidade de Nettie, recebeu diversas comunicações dos Espíritos, que o aconselharam sobre táticas de guerra e, inclusive, a decretar o fim da escravidão.
Abaixo, transcrevemos parte do texto do site O Mensageiro – Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio, bastante esclarecedor:

“Abraham Lincoln (1809-1865) foi o décimo-sexto presidente dos Estados Unidos. Foi casado com Mary Todd Lincoln, desencarnada em 1882. O casal teve quatro filhos, dois deles morreram antes da morte de Lincoln. Após o seu casamento em 1842, ele passou a freqüentar a Igreja Presbiteriana.
Apesar do abalo que a Guerra Civil norte-americana causou em Abraham, sua maior decepção foi a morte de seu filho Willie Lincoln, em 1862. Alguns relatos dão conta que após a morte de Willie, o estadista se trancou por uma semana em seu escritório e ficou a lamentar a perda do ente querido.O acontecimento serviu para despertar o interesse do Presidente por assuntos espirituais, ele falava constantemente que sentia a presença do filho na casa e no escritório.
Até que Mary Todd conheceu a médium Henrietta “Nettie” Colburn (1841-1892), quando esta visitou Washington no inverno de 1862, à procura de seu irmão que estava interno no Hospital do Exercito Federal.
Ao assistir uma sessão com Nettie, cujo nome de casada era Henrietta Maynard, ela ficou tão impressionada que a convidou para estar com o Presidente no dia seguinte.
Nettie atendeu ao pedido da primeira-dama e se encontrou com Abraham. Depois ela relatou em seu livro autobiográfico a conversa que Lincoln teve com os Espíritos:
Durante mais de uma hora fizeram falar com ele e, pelos amigos, soube mais tarde que a conversa girava sobre coisas que ele parecia entender muito bem, ao passo que eles pouco entendiam, inclusive a parte relacionada com a próxima Proclamação da Emancipação. Foi-lhe ordenado com a maior solenidade e força de expressão que não modificasse os termos da sua proposição e não adiasse a sua transformação em lei até o começo do ano; foi-lhe assegurado que isto seria o coroamento de sua administração e de sua vida; e que, enquanto ele estava sendo aconselhado por fortes elementos para adiar aquela medida, substituindo-a por outras medidas e por uma dilação, não deveria dar atenção a tais conselhos, mas firmar-se nas suas convicções e destemerosamente realizar o trabalho e cumprir a missão para a qual tinha sido elevado pela Providência. Os presentes declararam que esqueceram a presença da jovem tímida, em face da majestade de sua advertência, a força e o poder de sua linguagem e a importância da sua mensagem, que dava a impressão de que uma poderosa força espiritual masculina falava sob um comando divino.
Jamais esquecerei a cena em meu redor, quando recuperei a consciência. Achava-me de pé em frente a Mr. Lincoln, o qual se achava afundado em sua cadeira, com os braços cruzados sobre o peito, olhando-me intensamente. Recuei, naturalmente confusa com a situação – sem me lembrar de momento onde me achava; relanceei o olhar sobre o grupo no qual reinava absoluto silêncio. Durante um momento procurei recordar-me das coisas.
Um cavalheiro presente disse então, em voz baixa: - O Senhor Presidente notou algo de peculiar na maneira da mensagem? Mr. Lincoln levantou-se, como que abalado. Pousou o olhar sobre o retrato de corpo inteiro de Daniel Webster, acima do piano, e com muita ênfase, respondeu: - Sim, e é muito singular, muito!
Mr. Somes disse: - Senhor Presidente, seria impróprio que eu perguntasse se houve qualquer pressão sobre V.EX. no sentido de adiar a aplicação da Proclamação? Ao que o Presidente respondeu: - Nestas circunstâncias a pergunta tem toda propriedade, pois somos todos amigos. E, sorrindo para o grupo, acrescentou: - Essa pressão abala-me os nervos e as forças. A essa altura os cavalheiros o rodearam falando em voz baixa, sendo Mr. Lincoln o que menos falava. Por fim ele virou-se para mim e, pondo a mão sobre minha cabeça, pronunciou as seguintes palavras que jamais esquecerei: - Minha filha, você possui um dom singular, e não tenho dúvidas que vem de Deus. Agradeço-lhe por ter vindo aqui esta noite. Isto é mais importante, talvez, do que a gente imagina. Devo deixar vocês todos agora, mas espero vê-la novamente. Sacudiu bondosamente a mão, curvou-se ante o resto do grupo e se foi. Ficamos ainda uma hora, a conversar com Mrs. Lincoln e seus amigos e então voltei a Georgetown. Essa foi minha primeira entrevista com Abraham Lincoln e a sua lembrança me ficou tão viva como na noite em que ela se deu.
Pela descrição de Nettie a mensagem alterou os rumos de parte da história dos Estados Unidos, pois propiciou a Proclamação da Emancipação sem as alterações que queriam alguns assessores de Lincoln e outros políticos, e que se fosse mudada tornar-se-ia menos liberal. A referida Proclamação estendeu aos estados do sul dos Estados Unidos a libertação dos escravos. Arthur Conan Doyle tratando do assunto, registraria: - Entretanto, em vão procurará o leitor qualquer referência nos livros de história da grande luta e da vida do Presidente a esse episódio vital. Tudo isto devido ao incorreto tratamento tanto tempo suportado pelo Espiritismo.”
            Em uma sessão na elegante casa de Belle Miller, no bairro de Georgetown, Lincoln, com a presença do coronel Kase, que o conheceu naquele momento, juntamente com várias testemunhas, viu um piano levitar. Belle começou a tocar o piano e a cauda do mesmo ergueu-se e passou a acompanhar o compasso da música, através de pancadas no chão. Então, o Juiz Wattels, dois soldados do presidente e o coronel Kase sentaram-se em várias partes do piano. Apesar do peso, o piano ergueu-se, chegando a quatro polegadas do chão. Então começou a movimentar-se ao ritmo da valsa.
Dois dias depois, o presidente foi a uma nova sessão em Georgetown, só que, dessa vez, ele mesmo subiu no piano, seguido pelo coronel Kase e mais duas pessoas. Estes fatos foram publicados em vários jornais da cidade, só que, em alguns deles, eram referidos com sarcasmo e em tom de brincadeira, apesar de os mesmos terem sido presenciados pelo próprio presidente. O Sr. Somes, pertencente à alta sociedade, que também subiu no piano, perturbado ante os acontecimentos, disse à Lincoln: “Quando eu contar aos meus conhecidos, sr.presidente, o que observei esta noite, eles repetirão aquele olhar desaprovativo que tão bem conhecemos e pontificarão com toda a sua sabedoria: Tu estavas sugestionado e, assim sendo, não viste o que julgavas ver!”.
Interessante episódio foi relatado pelo seu advogado e amigo, o Sr.Ward Hill Lamon, que testemunhou e anotou o diálogo que Lincoln teve com sua esposa, na Casa Branca. Neste diálogo, mencionou um sonho que o deixou impressionado, até mesmo obcecado. Disse Lincoln: “Há uns dez dias recolhi-me muito tarde. Pouco tempo depois de estar deitado caí em sonolência, pois estava fatigado e, em breve, comecei a sonhar. Parecia haver, a minha volta, um silêncio de morte. Subitamente ouvi soluços convulsivos, como se muitas pessoas estivessem chorando. Julguei ter deixado a cama e que vagueava pelo andar inferior. Aí o silêncio foi quebrado por doloridos soluços, embora as pessoas que assim se lamentavam estivessem invisíveis. Andei de sala em sala. Não havia, à vista, qualquer pessoa viva, mas, por onde quer que passasse, esperavam-me os mesmos lamentos de dor. Todos os móveis me eram familiares. Onde estavam, contudo, aquelas pessoas que assim se lamentavam como seus corações estivessem dilacerados? Sentia-me, em verdade, confuso e alarmado. Que significaria tudo aquilo? Decidido a descobrir a causa do mistério continuei deambulando até a Sala Oriental. Entrei. Ali, me esperava uma surpresa macabra. Diante de mim erguia-se um catafalco, no qual repousava um cadáver envolto em vestes fúnebres. Em volta perfilavam-se soldados, fazendo guarda, e uma enorme multidão. Alguns contemplavam lamentosamente o corpo cuja face estava coberta. Outros soluçavam piedosamente.
- Quem morreu na Casa Branca? – perguntei a um dos soldados.
- O presidente! – Foi a resposta – Ele foi assassinado.
- Da multidão veio, então, uma explosão ruidosa de dor, que me despertou do sonho. Não dormi mais naquela noite e, se bem que se trate de um sonho, desde então encontro-me estranhamente indisposto.
Alguns dias depois, baleado em um teatro, Lincoln foi velado com os soldados à sua volta, na Sala Oriental, assim como no sonho.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

1 MAYNARD,Nettie Colburn; RODRIGUES,Wallace Leal. Sessões Espíritas na Casa Branca.São Paulo:Casa editora O Clarim [1981];

2 LIMA, Ronie. A vida além da vida. Rio de Janeiro: Ed.Mauad X [2005].

ENDEREÇO ELETRÔNICO:

http://www.omensageiro.com.br/personalidades/personalidade-104.htm









sábado, 2 de fevereiro de 2013

UMA RECENTE E INTERESSANTÍSSIMA PESQUISA SOBRE FENÔMENOS ESPÍRITAS


Fonte da imagem: o-experimento-scole-evidencias-cientificas-sobre-a-vida-apos-a-morte-grant-solomon-jane_1154_111441_oferta.html
Fábio José Lourenço Bezerra
            Uma importantíssima e recente pesquisa de fenômenos físicos mediúnicos foi realizada na Inglaterra. Contudo, estranha e lamentavelmente, teve pouquíssima repercussão no meio espírita brasileiro, apesar de a mesma ter sido fiscalizada pela rigorosa Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres (SPR), que atestou a realidade dos fenômenos obtidos. A pesquisa foi realizada pelo Grupo Experimental Scole. O livro “O Experimento Scole – Evidências Científicas Sobre a Vida Após a Morte”, dos autores Grant e Jane Solomon e editado no Brasil pela Madras, descreve, com riqueza de detalhes, as experiências e as conclusões dos membros da SPR.
            Abaixo, transcrevemos, na íntegra, um artigo postado no blog do IPCE – Instituto de Pesquisa Científica Espírita, sobre esse estudo:
terça-feira, 10 de março de 2009
Por Marcelo Coimbra Régis, 2005

Na maioria das vezes que falamos das pesquisas mediúnicas de efeitos físicos, somos levados a citar pesquisas que se desenvolveram no período de 1875 a 1930. Levantando a suspeita que esses fenômenos não mais ocorrem nos dias atuais e portanto não eram autênticos. Dentro dessa perspectiva os experimentos estudados na pequena vila de Scole na região de Norfolk, a sudoeste de Londres na Inglaterra, tem a meu ver um importantíssimo significado para a pesquisa psíquica.

Foi nessa pequena vila onde ocorreram diversos e excepcionais fenômenos mediúnicos num período de 5 anos entre 1993 e 1998. Fenômenos comparáveis aos obtidos com os grandes médiuns de efeitos físicos no início do século XX, porém com características totalmente inéditas. Além disso o grupo de Scole esteve sempre aberto a investigação científica séria tendo convidado cientistas da Society for Psychical Research (SPR) de Londres para acompanhar seus trabalho o que resultou num extenso relatório comprovando a veracidade dos fenômenos ali obtidos



O Grupo Experimental de Scole (SEG)

O casal Robin e Sandra Foy. Robin, ele um ex-piloto da RAF (força aérea inglesa), e Sandra, ela um dona de casa, há mais de 25 anos vinham pesquisando a mediunidade de fenômenos físicos, sempre participando de pequenos grupos familiares, sem nenhuma ligação religiosa ou com alguma instituição formal. Assim sendo decidiram formar um pequeno grupo de pesquisas doméstico tão logo se mudaram para a vila de Scole. Foi dessa forma despretensiosa que no final de 1992 nasceu o Grupo Experimental de Scole (SEG) com a finalidade específica de realizar sessões mediúnicas de efeitos físicos. Inicialmente o grupo era formado por 6 integrantes, mas no decorrer das pesquisas se viu reduzido a somente 4 participantes: Robin & Sandra Foy e o casal Alan & Diana Bennett. É interessante notar que apenas Alan e Diana Bennett possuíam o dom mediúnico, porém suas faculdades mediúnicas em nada se comparavam aos tradicionais médiuns de efeitos físicos. Normalmente os dois médiuns permaneciam em transe durante toda as sessões e era através deles que os diversos membros da equipe espiritual se comunicavam.

Em Maio de 1993 ocorreu o primeiro fenômeno de levitação de objetos, quando um trompete foi deslocado até o colo de um dos participantes. Novamente os meses seguintes foram marcados por poucos fenômenos físicos, porém foram ricos em comunicações mediúnicas e importantes para o progresso dos experimentos futuros. Após alguns meses, em Outubro de 1993 os fenômenos físicos voltaram, iniciando-se pelo aporte de uma “Churchill Crown” , uma moeda inglesa com a esfinge de Wiston Churchill gravada em um dos lados. Esse fenômeno marca o início da torrente de fenômenos que se seguiriam nos próximos anos.

A Equipe Espiritual:

O grupo contava com o apoio de uma equipe espiritual, as diversas personalidade comunicantes contribuíam para um clima de união. Alguns Espíritos possuíam conhecimentos científicos, outros filosóficos e outros contaram pitorescos aspectos sobre a vida extra-corpórea. Os próprios Espíritos declararam que estavam também pesquisando e experimentando essa nova forma de comunicação, utilizando uma mistura de energias e tentando desenvolver um método de obtenção de fenômenos físicos que não exigisse tanto dos médiuns e que não necessitasse de ectoplasma.

O Método:

O SEC se reunia duas vezes por semana, no período noturno. As sessões tinham duração média de 2 horas. O grupo utilizava o porão da casa de Robin e Sandra, reunindo-se em torno de uma pesada mesa redonda com todas as luzes apagadas. O porão foi devidamente preparado de forma que nenhuma claridade externa o penetrasse. Todos os participantes usavam pulseiras refletoras (luminescentes) e com fechos de velcro. Em todos os objetos presentes na sala de reunião também se afixavam as mesmas faixas luminescentes, dessa forma podia-se acompanhar qualquer movimento dos participantes e dos objetos mesmo em total escuridão. Todas as sessões foram gravadas e temperatura da sala era monitorada continuamente. Numa sessão típica, após apagarem-se todas as luzes, uma música de fundo era tocada de forma a harmonizar as energias. A abertura da sessão era feita pelo Espírito chamado de Manu. Logo em seguida comunicava-se o Espírito chamado de Raji , que informava aos participantes o planejamento para a noite e detalhava quais os experimentos que seriam tentados naquela data. A partir daí os Espíritos guias (Mrs. Bradshaw e Patrick) continuavam comunicando-se através dos dois médiuns e auxiliando outros Espíritos a trazerem mais informações sobre os fenômenos. Finalmente após decorridas umas duas horas de sessão Patrick informava os presentes que era hora de
encerrarem os trabalhos

Os Fenômenos:

Em Scole foram registrados mais de 200 tipos de fenômenos físicos. O que segue é apenas um breve sumário, para dar a mínima noção da abrangência e da importância de Scole para as pesquisas psíquicas modernas.

1. Aportes (transporte de objetos):

Durante as sessões de Scole mais de 70 aportes foram testemunhados. Entre os mais significativos estão os aportes de: diversas moedas antigas, um exemplar da edição do Daily Mail de 1/4/44, um exemplar da edição do Daily Express de 28/5/45, um colar de pérolas, diversas jóias e artigos ornamentais

2.Luzes Paranormais:

Diversas luzes paranormais apareciam durante as sessões. Esses pontos e feixes brilhantes iluminavam a sala e eram como que guiados por alguma inteligência. Moviam-se com velocidade surpreendente e com o passar do tempo tornaram-se mais intensos, a ponto de iluminarem boa parte da sala. Os feixes descreviam figuras no ar, tocavam os presentes nas mãos, pousavam sobre a mesa central. As vezes penetravam objetos sólidos, irradiando luz do seu interior. Centenas de visitantes puderam testemunhar sua realidade.

3. Levitações e Materializações:

Diversas materializações (sem usar ectoplasma), sendo a mais impressionante a do Espírito de Patrick, que se materializou da cabeça até a cintura. Um dos fenômeno mais interessante obtido em Scole foi a voz direta provindo das formas materializadas, ou seja, a voz comunicaste vindo diretamente da boca do Espírito materializado. Diversos objetos foram levitados, como a pesada mesa central, um trompete, caixas de madeira contendo objetos, câmaras fotográficas, etc…

4. Experimentos com Fotografia:

São talvez os mais importantes de todos os fenômenos físicos ocorridos em Scole, pois permitem uma investigação e comprovação científica. Inicialmente os Espíritos utilizaram uma máquina fotográfica comum (35mm, sem flash) e durante o transcorrer das sessões solicitavam que os participantes fotografassem no escuro mesmo. Às vezes, os próprios Espíritos levitavam a câmara e acionavam o disparador durante as sessões. Após a revelação do filme, diversas imagens paranormais tinham sido impressas no filme fotográfico. Com o tempo os experimentos evoluíram e os fenômenos se produziam com os filmes virgens ainda selados em seu pacote original e sem o uso de câmara fotográfica. Outra melhoria foi o uso de filmes polaroid planos (virgens e selados no pacote original) que eram revelados imediatamente ao término da sessão. Com a presença dos pesquisadores da SPR o controle e rigor científico foi aumentado enormemente.

5. Voz Direta:

Os Espíritos utilizaram a voz direta para conferir maior autenticidade as comunicações. Assim apesar de 2 médiuns estarem sempre em transe, podia-se ouvir as vozes dos Espíritos vindo de diferentes partes da sala.

6. Transcomunicação Experimental:

a. Áudio:

O grupo de Scole construiu um tipo de receptor utilizando um cristal de Germânio, conectado a um tipo simples de amplificador de sinais. Com esse aparato e sob a supervisão de diversos pesquisadores da SPR foram obtidas comunicações audíveis em várias sessões. Algumas comunicações foram sustentadas por mais de 20 minutos ininterruptos.

b. Vídeo:

O Grupo de Scole avançou para a obtenção de imagens e mensagens via vídeo (Vidicom). O aparato utilizado consistia de uma câmara VHS normal e um conjunto de dois espelhos. O posicionamento da câmara e dos espelhos parecia de vital importância para a obtenção do fenômeno. O experimento com vídeo tinha duas partes: ainda com as luzes acesas, gravava-se 30 minutos antes do início da sessão mediúnica. Posteriormente, já com todas a luzes apagadas, gravava-se outros 15 minutos. Algumas imagens impressionantes foram obtidas assim: faces de Espíritos, imagens paranormais, luzes coloridas em movimento, etc.

Viagens e visitas:

O grupo conduziu com sucesso diversas sessões na Espanha, nos Estados Unidos, na Holanda, na Alemanha e na Irlanda. Além disso o grupo conduziu diversos seminários onde convidados podiam observar os fenômenos e discutir suas causas e implicações. O grupo também editou uma revista trimestral onde reportou seus avanços. Também publicou alguns livretos descrevendo o método por eles utilizado.
Energia Criativa:

Segundo a explicação dos próprios Espíritos as diferenças fundamentais entre Scole e os métodos tradicionais de obtenção de fenômenos físicos são:

1. O tipo de energia utilizado, chamado pelos Espíritos de energia criativa seria uma combinação de 3 fontes distintas de energia. A primeira seria a energia espiritual, trazida pelos Espíritos comunicantes. A segunda, chamada de energia humana, seria retirada dos corpos de cada um dos encarnados presentes às sessões. A terceira, chamada de energia da Terra, os Espíritos retirariam de reservatórios
de energia presentes em algumas áreas do planeta.

2. Com a utilização dessa nova energia os fenômenos podiam ser obtidos muito mais rapidamente e sem a necessidade de preparação especial.

3. A quantidade e variedade de fenômenos podia ser muito maior

Conclusão:

Em 5 anos de pesquisas, o grupo de Scole conduziu mais de 500 sessões mediúnicas com fenômenos ocorrendo em todas elas. Cada sessão foi gravada em fita e mais de 200 delas foram acompanhadas por cientistas e pesquisadores. Como resultado desse esforço os pesquisadores da SPR ,Mortague Keen, Arthur Ellison e David Fontane escreveram um extenso relatório (The Scole Report) confirmando a autenticidade dos fenômenos por eles testemunhados. A SPR seguindo a linha de não concluir coletivamente, não considerou Scole como uma prova conclusiva da imortalidade.

Ao tomar conhecimento de Scole confesso que fiquei surpreso em saber que tais desenvolvimentos tenham ocorrido a tão pouco tempo (década de 1990) e que não tiveram quase nenhuma repercussão no meio espírita brasileiro. Afinal é muito bom saber que os avanços no campo das pesquisas psíquicas e da sobrevivência da alma continuam ocorrendo e acompanhando a evolução da ciência.

Bibliografia e para saber mais:

Livros:

- Soloman, Grant & Jane (1999). The Scole Experiment.
Scientific
Evidence for Life After Death ; Londres: Judy Piatkus, 1999

- Keen, Montague, Ellison, Arthur and Fontana, David (1999). The Scole
Report. An Account of an Investigation into the Genuineness of a Range
of Physical Phenomena associated with a Mediumistic Group in Norfolk,
England. Proceedings of the Society for Psychical Research, Vol. 58,
Part 220, November 1999.
 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

SOLOMON; Grant, JaneO Experimento Scole: Evidências científicas sobre a vida após a morte.São Paulo.ed.Madras [2002].

ENDEREÇO ELETRÔNICO:

http://ipce-ce.blogspot.com.br/2009/03/os-fenomenos-de-scole.html




quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

MILAGRES EXISTEM?


Fonte da imagem: http://sendaluz.no.sapo.pt/CURASeCirurgias.htm

Fábio José Lourenço Bezerra

Façamos um exercício de imaginação e visualizemos, por um instante, o dia-a-dia de uma pessoa na época do império romano, há uns dois mil anos atrás: O fogo era utilizado para iluminar a escuridão, seja com lamparinas de óleo, seja com tochas; as viagens eram feitas a pé ou, no máximo, em cima de cavalos ou em veículos puxados por estes; o envio de correspondências era realizado através de mensageiros; A medicina era realizada por métodos altamente incertos e precários, quase uma adivinhação, etc..
Imaginemos agora que essa pessoa foi subitamente transportada para nossa época. Com certeza, ela iria achar que estava louca, pois observaria, com inimaginável espanto, que veículos, transportando dezenas de pessoas, cruzam os céus de um continente a outro; que é possível duas pessoas, simultaneamente, se falarem e se verem através de um computador que cabe na mão, mesmo ambas estando em lados opostos do mundo; veria que existem equipamentos que podem visualizar o funcionamento de áreas específicas do cérebro em tempo real; aliás, nem precisaríamos dos exemplos acima, bastando imaginar esse hipotético personagem segurando uma lanterna acesa. Tudo isso, que para nós já é algo comum, que se já não temos, vemos outros terem, sejam nossos conhecidos ou pela televisão, para nosso personagem seriam algo muito além do que sua imaginação poderia conceber em sua época. No máximo, acharia que o mundo estava tomado por grandes poderes mágicos, capazes de realizar coisas incríveis. Muito provavelmente, atribuiria tudo ao sobrenatural, pois ele, por mais inteligente e sábio que fosse para seu tempo, não teria condições de explicar, por meios naturais, tudo aquilo.
Desde a época do nosso personagem para cá, o homem observou cada vez mais profundamente a natureza. Identificou padrões, ao ver que poderia prever a ocorrência de determinados fenômenos, através de determinadas condições, seja um objeto lançado de uma grande altura, ou a mistura de diferentes substâncias. Assim, viu que a natureza possui leis, desenvolvendo ciências como a física, a química e a biologia. A partir do conhecimento gerado pelas ciências, desenvolveu a tecnologia, que, juntamente com as ciências,  aprimora-se a cada dia.
Contudo, o homem ainda está muito longe de ler todo o livro da natureza (Ver o texto Por Que Ser Espírita ?, neste blog, e os artigos do site Inovação Tecnológica  intitulados:


Experimento promete mudar concepção filosófica da realidade, no link:

 Nova medição mostra próton cada vez menor e desafia física, no link: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=medicao-proton-cada-vez-menor-desafia-fisica&id=010130130128 ; além de outros artigos muitíssimos interessantes desse site).

            O Espiritismo, através do estudo de fenômenos que não podem ser explicados pelas leis naturais até o momento descobertas pela ciência “oficial” (Ver os textos O Início do Espiritismo Parte 2 – A Codificação e “Ilustres Cientistas Confirmaram: A Alma Sobrevive à Morte”, neste blog), descobriu todo um Universo de matéria sutil que nos circunda, imperceptível aos nossos cinco sentidos e aos nossos atuais instrumentos de observação, muito mais complexo e amplo que o nosso, chamado Mundo Espiritual. É para lá que nossa consciência, ou Espírito, vai após a morte do corpo físico (ver o texto O Mundo Espiritual, neste blog).

A concepção tradicional de milagre é aquela que considera que Deus, em alguns momentos, viola as leis naturais por Ele próprio estabelecidas, ocasionando fenômenos extraordinários, como curas, salvamento de alguém que está em situação de morte certa, etc., para demonstrar Sua existência e favorecer a quem tem fé Nele.
O Espiritismo vem nos trazer uma outra concepção de milagre, tirando-o da condição de fato sobrenatural e colocando-o na ordem dos fatos naturais, porém de ocorrência pouco comum.
Partindo do fato de que Deus é Todo-Poderoso, podemos inferir que Ele não precisaria estar violando suas próprias leis para mostrar-se a suas criaturas e executar seus desígnios, pois, tudo podendo, cria leis perfeitas, mostrando-se através da perfeição dessas leis. Por exemplo, quando vemos um equipamento muitíssimo avançado, como um computador de última geração, logo podemos deduzir que quem o idealizou possui grande inteligência, proporcional à complexidade e organização requerida para a elaboração daquela máquina.
Os Espíritos Superiores vieram nos trazer novos conhecimentos, como sobre a matéria espiritual, que pode ser manipulada pelo pensamento, como os homens manipulam as substâncias do mundo material com as mãos e os instrumentos. Combinando matéria e energia do mundo espiritual com a matéria física emanada do médium e do meio ambiente (Ver o texto O Que São Médiuns?, neste blog), respeitadas determinadas condições, os Espíritos podem produzir os mais diversos fenômenos, como curas, levitação de objetos, etc.. Isso sem falar na influência oculta que os Espíritos podem ter sobre o pensamento das pessoas (Ver o texto Os Espíritos Influenciam Nossas Vidas?, neste blog), inspirando-lhes pensamentos, que elas atribuem a si próprias, podendo conduzi-las a determinadas ações. Um Espírito pode sugerir a alguém que vá a determinado local onde uma pessoa está sozinha e precisando ser socorrida, por exemplo. Contudo, estes fenômenos nada tem de sobrenaturais, apenas as leis que os governam ainda são desconhecidas da maioria das pessoas, e provocados por seres, forças e substâncias invisíveis (exceto em alguns casos, quando se mostram visíveis e até possíveis de se tocar e pesar). Assim, o Espiritismo vem explicar acontecimentos até então tidos como derrogação das leis naturais.
As curas realizadas por Jesus, além de outros fenômenos impressionantes realizados por ele, explicam-se devido à sua grande elevação espiritual, além de ter sido auxiliado por vários outros Bons Espíritos durante sua missão na Terra.
Os ditos milagres nada mais são do que a atuação dos Espíritos que, mediante a permissão de Deus, e conforme a utilidade e conveniência para a programação evolutiva de determinada pessoa, pode curá-la, salvá-la do perigo ou outro fenômeno estranho qualquer, como a sua levitação, por exemplo, sem que ela jamais suspeite. Assim, ela atribui, muitas vezes, o fato a um milagre, conforme a crença que professe.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

1 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: princípios da doutrina espírita. 76. ed. Rio de Janeiro: FEB, [1995].

2 _____________. O Livro dos Médiuns: ou guia dos médiuns e evocadores: espiritismo experimental Rio de Janeiro: FEB, [1997].

3_____________.A Gênese: Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Editora FEB, 1988;



domingo, 20 de janeiro de 2013

ESPIRITISMO: ESTÍMULO À PRÁTICA DO BEM, À BUSCA DO CONHECIMENTO E AO PENSAMENTO CRÍTICO


Fonte da imagem: http://www.andreariovaldo.com.br/artigo/42/o-espiritismo-e-a-ideia-de-que-so-jesus-salva.html

Fábio José Lourenço Bezerra

No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, no Capítulo VI, nº 5, temos: “Espíritas! Amai-vos, eis o Primeiro Ensinamento;  Instruí-vos, eis o Segundo”.

Na pergunta Nº 801 de “O Livro dos Espíritos”, temos: “Por que os Espíritos não ensinaram em todos os tempos o que ensinam hoje?” 
Resposta: “Não ensinais às crianças o que ensinais aos adultos, e não dais para um recém-nascido um alimento que ele não possa digerir; cada coisa em seu tempo. Eles ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou desnaturaram, mas que podem compreender atualmente. Por seus ensinamentos, mesmo incompletos, prepararam o terreno para receber a semente que vai frutificar hoje.” 
Em outra obra sua, “A Gênese”no Capítulo I, temos: “Os Espíritos não ensinam senão justamente o que é necessário para guiar o homem no caminho da verdade, mas abstêm-se de revelar o que o homem pode descobrir por si mesmo, deixando-lhe o cuidado de discutir, verificar e submeter tudo ao cadinho da razão, deixando mesmo, muitas vezes, que adquira experiência à sua custa. Fornecem-lhe o princípio, os materiais; cabe-lhe a ele aproveitá-los e pô-los em obra”.
Na mesma obra e Capítulo, temos: "A Ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação"
Também na mesma obra e Capítulo, consta: "O Espiritismo, avançando com o progresso, jamais será ultrapassado, porque, se novas Descobertas lhe demonstrarem que está em erro acerca de um ponto, ele se modificará nesse ponto; se uma verdade nova se revelar, ela a aceitará."
O Espiritismo nos ensina que o caminho da verdadeira felicidade é o do combate às nossas más inclinações, ou seja, o egoísmo, o orgulho, a vaidade e o apego às coisas materiais. O caminho da aquisição do bem em nossos corações. Dessa forma, nos sentiremos cada vez mais leves e isentos das tribulações que estas más tendências podem nos causar. Significa que, durante o percurso, já teremos uma felicidade relativa, mesmo neste mundo (Ver o texto Por Que Devemos Fazer o Bem?, neste blog). A consciência tranqüila e o prazer em fazer o bem ao semelhante, ao atingirmos o total desenvolvimento moral, serão para nós a verdadeira sensação de estarmos no paraíso. Afinal, este nada mais é do que um estado pleno de consciência.
O desenvolvimento da inteligência e a aquisição do conhecimento, além de nos ajudarem muito em nossa vida presente, auxiliam bastante o processo acima citado, pois, ao longo de várias encarnações, nos dá condições de compreender cada vez melhor as leis estabelecidas por Deus para regular o Universo, e, assim, agir em conformidade com elas. Dá-nos condições de fazer o bem de forma cada vez mais consciente e eficiente.
Ao fim da jornada, quando atingimos o pleno desenvolvimento intelecto-moral (estado de Puro Espírito), entramos em sintonia direta com Deus e compreendemos perfeitamente seus desígnios, tornando-nos os executores diretos de Sua vontade, o que é feito com imensurável prazer. Esta vontade traduz-se, por exemplo, na construção e no governo de mundos e de inúmeras formas de vida material, ou seja, todas as ações necessárias ao desenvolvimento dos irmãos menos adiantados, pois Deus jamais deixou de criar novos Espíritos.
O Espiritismo é progressista, ou seja, admite mudanças, quando estas se tornarem necessárias, em vista de novos conhecimentos trazidos pela ciência. Os Espíritos ainda não nos disseram tudo, pois eles só nos repassam aquilo que é útil ao nosso progresso, sempre conforme o estágio evolutivo em que nos encontramos. Novos conhecimentos nos são revelados por eles à medida que desenvolvemos nossa inteligência e senso moral. Consequentemente, ele não é dogmático, pois não possui verdades que considera absolutas, pois seu norte é a lógica, o pensamento crítico. Seus princípios foram estabelecidos através de metódicos e rigorosos estudos acerca de fenômenos que não podem ser explicados pela ciência “oficial”, adotando o conceito de fé raciocinada (Ver os textos Por Que Ser Espírita?, O Início do Espiritismo Parte 2 – A Codificação, Os Princípios Básicos do Espiritismo, Ilustres Cientistas Confirmaram:A Alma Sobrevive à Morte, Fortes Evidências da Reencarnação” e “Os Mortos Voltam Para Contar?, neste Blog”) . Como Allan Kardec disse: “Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”.
Contudo, até o presente momento, nenhum dos postulados Espíritas foi contraditado pela ciência. Aliás, estudos de cientistas independentes, e até de Universidades, embora timidamente e com pouca divulgação, os vem confirmando (Ver os textos citados acima e Terapia Mediúnica Mostra-se Eficaz Em Pesquisa na USP, O Passe Espírita é Estudado pela Universidade, Cientistas Estudaram o Cérebro de Médiuns Durante a Psicografia –Com Resultados Surpreendentes, Os Animais Possuem Alma?, Os Espíritos Comunicam-se Por Aparelhos Eletrônicos?, APluralidade dos Mundos Habitados 5 – Qual a Origem da Vida? e As Experiências de Quase-Morte, neste blog). As evidências apresentadas, por inúmeros pesquisadores não espíritas, dá imenso peso ao Espiritismo, demonstrado que fica o seu caráter universal.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

1 KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro : Editora FEB,1995.;

2_______________ . O Evangelho segundo o Espiritismo. São Paulo : Editora Petit, 1997.;
3________________.A Gênese: Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Editora FEB, 1988.