sexta-feira, 15 de março de 2013

O QUE REALMENTE JESUS ENSINOU?


Fonte da imagem: http://iris_orion.blogs.sapo.pt/489680.html

Fábio José Lourenço Bezerra

                Os Espíritos Superiores, durante a Codificação do Espiritismo, revelaram que Jesus foi o Espírito mais perfeito que Deus nos enviou, encarnando na Terra com a missão de servir de guia e modelo para a humanidade. Ou seja, devemos seguir seus ensinamentos, e nos basear em seus exemplos, para que possamos trilhar o caminho da perfeição espiritual.
                Contudo, logo após o seu retorno ao mundo espiritual, sua palavra foi sendo transmitida como tradição oral, isto é, no boca-a-boca dos chamados cristão novos, aqueles que eram convertidos ao cristianismo nascente. Os estudiosos dos evangelhos concluíram que eles só foram escritos entre 30 a 60 anos após a morte de Jesus.
Imaginemos a seguinte experiência: colocamos dez pessoas em fila, falamos algo no ouvido da primeira pessoa e pedimos que ela faça o mesmo com quem está atrás, e assim sucessivamente, até a mensagem chegar ao último da fila. Veremos que a mensagem, ao longo deste curto caminho, chega bastante distorcida. Foi o que aconteceu com a mensagem de Jesus, só que ao longo de décadas, por pessoas dos mais diferentes graus de cultura e tipos de crença, tendo depois sido escritas por pessoas que sequer o conheceram pessoalmente.  Atribuíram, incorretamente, a escrita dos evangelhos aos apóstolos de Jesus. Por exemplo, os evangelhos aceitos pela Igreja – Marcos, Mateus e João, além de Lucas – conforme os estudiosos, não foram os próprios que os escreveram. E pior: não temos os originais destes primeiros escritos, apenas cópias das cópias das cópias das cópias... e todas em grego antigo, que não era a língua original de Jesus nem de seus apóstolos, que falavam o aramaico. São em torno de cinco mil cópias, com muitas contradições entre si. Essas contradições de palavras, frases ou mesmo textos inteiros, foram provocadas por erro acidental dos copistas – afinal o processo de cópia era o manuscrito – e também, em muitos casos, proposital, para acomodar as palavras de Jesus à crença de determinado segmento cristão primitivo, que, como sabemos, existiam muitos (para maiores detalhes, ver o texto Quem é Jesus?, neste blog).
Diante de tantas contradições, como, então, poderemos saber quais as verdadeiras palavras do Mestre Jesus?
Não restam dúvidas de que o Espiritismo pode nos dar uma chave para compreender não só os Evangelhos do Cristo, mas a Bíblia como um todo. Contudo, uma vez que a Doutrina Espírita não é dogmática, isto é, não pretende impor verdades absolutas, inquestionáveis, recomendando a seus seguidores o uso da razão e do pensamento crítico, é aconselhável que verifiquemos o que os estudiosos da Bíblia têm a nos dizer sobre a questão.
Em 1985, houve uma reunião de bibliólogos (estudiosos da Bíblia) – o chamado Seminário de Jesus – para discutir e votar quais, dentre as mais de 1.500 frases supostamente ditas pelo Cristo, seriam autênticas, e até que ponto. O livro “The Five Gospels: What Did Jesus Really Say?” [Os cinco evangelhos: O que Jesus realmente disse?] foi fruto desse estudo. O resultado dele foi que apenas vinte frases foram realmente ditas pelo Cristo, exatamente da forma como se encontram nos evangelhos. É interessante notar que, além dos Evangelhos aceitos pela igreja, que já citamos acima, o estudo também considerou o Evangelho de Tomé, achado na década de 40 do século passado e, provavelmente, o mais antigo dos cinco (para mais detalhes sobre este evangelho, ver o texto Quem é Jesus?, neste blog).
O autor Juan Arias estudou teologia e jornalismo na Universidade Gregoriana de Roma; línguas semíticas no Pontifício Instituto Bíblico; foi correspondente do jornal El País no Vaticano durante 14 anos, ocasião em que pôde acompanhar os papas Paulo VI e João Paulo II; atualmente, é colaborador de El País para a América Latina. Ele escreveu o excelente livro “O Grande Segredo de Jesus: Uma Leitura Revolucionária dos Evangelhos”. Nele, ele se refere assim às conclusões do estudo acima referido:
“[...] Curiosamente, trata-se dos dizeres que a Igreja sempre considerou de difícil interpretação, as frases mais duras contra os poderes constituídos e as mais enigmáticas e surpreendentes, como “Deixa os mortos enterrarem os mortos”. Estas são justamente as palavras e narrativas mais usadas neste livro e que, curiosamente, mais que o resto dos Evangelhos, confirmam a nossa tese de que Jesus propunha uma ruptura total com o sistema existente e falava para uma possível raça futura de seres inteligentes diferente da atual, baseada na solidariedade, no amor aos inimigos, na aceitação dos diferentes e no respeito à dignidade da pessoa, sem qualquer distinção de raça, fé, gênero etc., e não na violência.”
A respeito de Jesus, ele diz:
“[...] Jesus sempre foi apresentado como um líder religioso que deu origem a uma nova Igreja nascida do Judaísmo, o que não é verdade. Jesus nunca pensou em fundar uma nova religião, pois combatia todas elas devido ao fato de se basearem na violência e nos ritos sacrificiais, na dor e na falta de liberdade.”
“[...] O obscuro profeta da minúscula aldeia palestina de Nazaré parece dirigir-se a homens e mulheres de uma espécie humana vindoura. Talvez, com a força do amor desinteressado que impulsionava sua vida, ele se sentisse cidadão deste novo mundo sem violência, do qual acabou sendo vítima inocente e inevitável. Isso significa que, segundo a teoria deste livro, Jesus não falava aos homens da sua época, a esta raça humana? De jeito nenhum. Jesus também falou para nós, seres humanos violentos e ambiciosos inclinados a usar os mecanismos do amor em proveito próprio. O ser humano pode melhorar, e de fato alguns, a começar pelo próprio Jesus vítima da violência, alcançaram a sublimidade do amor que ele propunha. No entanto, as suas intenções e seu alvo iam mais além, e ele nos indicou que o grande segredo que estava revelando era que aquela loucura de um mundo sem violência não era uma simples utopia, e algum dia outros seres humanos, seja lá o nome que recebam, poderiam conseguí-lo.”
De fato, conforme o Espiritismo nos ensina, a Terra está caminhando da categoria de mundo de provas e expiações, onde o mal prevalece, para um mundo de regeneração, onde as almas que ainda têm o que expiar vão haurir novas forças, repousando das fadigas da luta; em seguida para mundo feliz, onde o bem se sobrepõe ao mal; e finalmente para mundo celeste ou divino, morada dos Espíritos depurados, onde o bem reina inteiramente (ver o texto Um Dia, o Bem Reinará na Terra?, neste blog).

No Capítulo XVIII, em sua obra “A Gênese”, na parte de título “A GERAÇÃO NOVA”, Allan Kardec nos diz:

“Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso é que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, porque, senão, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculo ao progresso. Irão expiar o endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda atrasadas, equivalentes a mundos daquela ordem, aos quais levarão os conhecimentos que hajam adquirido, tendo por missão fazê-las avançar. Substituí-los-ão  Espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade.
A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas.
Tudo, pois, se processará exteriormente, como sói acontecer, com a única, mas capital diferença de que uma parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí não mais tornarão a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem.”
“[...] A época atual é de transição; confundem-se os elementos das duas gerações. Colocados no ponto intermédio, assistimos à partida de uma e a chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelos caracteres que lhe são peculiares.
Têm idéias e pontos de vista opostos as duas gerações que se sucedem. Pela natureza das disposições morais, porém sobretudo das disposições intuitivas e inatas, torna-se fácil distinguir a qual das duas pertence cada indivíduo.
Cabendo-lhe fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior. Não se comporá exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas dos que, já tendo progredido, se acham predispostos a assimilar todas as idéias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração.”
Segundo Juan Arias e muitos estudiosos dos Evangelhos, o ensinamento fundamental de Jesus era para que o homem cultivasse em si próprio o amor desinteressado pelos outros, como ele disse em Mateus 22:39, citando o Levítico 19:18: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”. Conforme eles, o dogma adotado pela Igreja, de que o homem se torna justo perante Deus, recebendo a recompensa eterna através da crença na morte e ressurreição de Jesus, para pagar os pecados da humanidade,  teria surgido devido a acréscimos posteriores nos evangelhos, não sendo aquilo que Jesus realmente acreditava. Isto está exatamente conforme o que o Espiritismo nos ensina.

De acordo com Juan Arias:

“Hoje há certa unanimidade entre os teólogos católicos e protestantes modernos de que Jesus imaginou um mundo futuro sem religiões, templos e catedrais. É verdade que ele era religioso, um judeu praticante que frequentava a sinagoga e o Templo, lia em público e interpretava as Escrituras, ainda que com um amplo sentido crítico quanto aos aspectos formais, rituais e legistas do judaísmo. No seu horizonte, no coração do seu segredo de um possível mundo futuro sem violências, abusos de poder e sem medo nem mesmo da morte, as religiões ritualizadas já não teriam espaço. Deus – pai e mãe ao mesmo tempo, homem e mulher – seria cultuado no âmago da consciência. Por isso, como anunciara à samaritana dos cinco maridos, não fariam falta templos e catedrais, pois adoraríamos “em espírito e em verdade” no altar mais profundo do nosso ser ou no grande templo da natureza, espelho do melhor da divindade.”

Foi o que os Espíritos Superiores da Codificação nos ensinaram há cerca de 155 anos atrás.

Quanto à época da chegada do Reino de Deus, Juan Arias nos diz:

“[...] Há quem chegue a pensar que Jesus se equivocou ao acreditar que o Reino chegaria durante o seu tempo de vida.”      
“[...] Contudo, Jesus afirmou que ninguém, nem os anjos ou ele mesmo, só Deus, sabia o dia e a hora em que nasceria a nova humanidade, a nova era, o mundo sem violências fundado no amor desinteressado.
“[...] Lucas tem um texto definitivo sobre isso que poucos quiseram examinar detalhadamente. Um dia, um grupo de fariseus pergunta a Jesus, talvez tentando confundi-lo, quando chegaria o famoso Reino de Deus que ele tanto anunciava sem jamais esclarecer de que se tratava. A resposta é fundamental: “Interrogado pelos fariseus, quando chegaria o Reino de Deus, respondeu-lhes Jesus, dizendo: ‘O Reino de Deus não vem ostensivamente, nem se poderá dizer: está aqui ou ali, por o Reino de Deus está entre vós.’” (Lc 17, 20- 21.)
“[...] Jesus chega a dar uma pista: Já está no meio de vós. Onde? Onde as pessoas menos esperam. Esse Novo Reino está germinando entre os que preferem a luz às trevas, não desprezam os pobres, sabem perdoar as ofensas e respondem à violência gratuita oferecendo a outra face.”

As palavras de Juan Arias, acima, concordam bastante com o Espiritismo, que considera o céu e o inferno como estados de consciência (Ver o texto Por que Devemos Fazer o Bem?, neste blog).

Assim, conforme demonstrado, os estudos atuais dos Evangelhos concordam bastante com a interpretação Espírita do que realmente nos ensinou Jesus.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA: 

1 KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro : Editora FEB,1995.;

2_____________ . O Evangelho segundo o Espiritismo. São Paulo : Editora Petit, 1997.;

3______________.A Gênese: Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Editora FEB, 1988;

4 ARIAS, Juan. O grande segredo de Jesus: uma leitura revolucionária dos Evangelhos. Rio de Janeiro.Ed.Objetiva, 2012;

5 EHRMAN, Bart D. Evangelhos Perdidos. Rio de janeiro: Editora Record, 2008;

6______________.O Que Jesus Disse? O Que Jesus Não Disse?: quem mudou a Bíblia e porque. São Paulo: Editora Prestígio, 2006;
7______________.Quem Jesus Foi?  Quem Jesus Não Foi? : mais revelações inéditas sobre as contradições da Bíblia. Rio de Janeiro: Ediouro, 2010;
8 ______________.O Problema Com Deus: as respostas que a Bíblia não dá ao sofrimento. Rio de Janeiro, Editora Agir, 2008;
9 RANGEL, Liszt. Arqueologia dos Evangelhos: uma releitura histórica do pensamento de Jesus. Recife: Editora Bom Livro, 2009;
10 SILVA, Severino Celestino da. Analisando as Traduções Bíblicas: refletindo a essência da mensagem bíblica. João Pessoa: Editora Núcleo Espírita Bom Samaritano, 2000;
11 PROPHET, Elizabeth Clare e PROPHET, Erin L.Reencarnação: o elo perdido do cristianismo. Rio de janeiro: Editora Nova Era, 2003.

sábado, 9 de março de 2013

INÚMEROS FATOS CONFIRMARAM: O ESPIRITISMO É REAL


O Espírito Katie King materializado, sendo examinado por um cientista
Fonte da imagem: http://www.forumespirita.net/fe/o-livro-dos-espiritos/jesus-espirito-encarnado-ou-materializado/30/#.UTvjURw9-6M

Fábio José Lourenço Bezerra
  
                No nosso texto anterior “O Início do Espiritismo Parte 2 –A Codificação” e “Os Mortos Voltam Para Contar?”, neste blog, descrevemos o método, utilizado por  Allan Kardec (ver o texto “Quem Foi Allan Kardec?”, neste blog), para codificar o Espiritismo. Selecionou, organizou e classificou inúmeras comunicações dadas por diversos Espíritos, obtidas por diferentes médiuns, de várias partes do mundo, na presença dele ou de pessoas de sua inteira confiança. Considerou apenas aquelas que não feriam a lógica e eram concordantes entre si. Durante esse processo, obteve comunicações de Espíritos de grande inteligência e saber, os Espíritos Superiores, que lhe transmitiram os princípios da Doutrina Espírita (Ver o texto “Os Princípios Básicos do Espiritismo” e “Evolução: A Jornada do Espírito”, neste blog). Eles próprios passaram a orientar e supervisionar o trabalho, revelando a Kardec que ele encarnara com a missão de esclarecer os homens, de forma racional, sobre a sua verdadeira natureza, a espiritual, através da ampla divulgação do Espiritismo. Disseram a ele que a humanidade chegara a um estágio intelectual tal que lhes permitia transmitir ensinamentos de forma mais clara e direta. O principal fruto desse trabalho foi a publicação de O Livro dos Espíritos”, contendo os ensinamentos dos Espíritos Superiores e as conclusões de Kardec. Aprofundando os temas abordados na obra citada, Kardec publicou vários outros livros, além de uma revista. Fundou também a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, para dar continuidade a seus estudos.
O Espiritismo é progressista, conforme essas palavras do codificador: “O Espiritismo, avançando com o progresso, jamais será ultrapassado, porque, se novas Descobertas lhe demonstrarem que está em erro acerca de um ponto, ele se modificará nesse ponto; se uma verdade nova se revelar, ela a aceitará."
Acontece que, além dos impressionantes fatos que ocorreram antes e durante a codificação (ver “O Início do Espiritismo Parte 2 – A Codificação”, neste blog), muitos outros, de diferentes categorias, vieram para confirmar os princípios que os Espíritos nos legaram. Estes fatos, como peças de um quebra-cabeças, ao se juntarem, revelam, de forma bastante clara, o que afirmamos.
A existência de um propósito para nosso universo e, consequentemente, a existência de Deus, foi sendo verificada à medida em que o homem desenvolveu a ciência, através da fabricação de instrumentos de observação da natureza cada vez mais precisos.
 Descobriu as partículas subatômicas e suas propriedades. Mudou, de forma radical, o seu conceito de tempo, espaço e matéria.
Viu que o Universo possui vários bilhões de galáxias, tendo surgido de uma explosão de matéria e energia superconcentrada há cerca de 13 bilhões de anos atrás (o Big Bang).
As descobertas da ciência, até nossos dias, confundiram os cientistas ateus (aqueles que professam o credo de ter o universo, os planetas, a vida, surgido por mero acaso, fruto de combinações aleatórias da matéria e das forças físicas da natureza), e estes, perplexos, ficaram apenas a especular, tentando procurar uma saída para o seu ateísmo: analisando-se os dados obtidos até hoje, salta aos olhos ter o universo um propósito: dar origem e abrigar a vida. Uma vasta série de "coincidências", desde o Big Bang até o momento presente, permitiram o surgimento da vida em suas expressões mais complexas, e da consciência, apesar das enormes probabilidades em contrário. A ciência chama isto de o Princípio Antrópico.
Com o decorrer do tempo, nosso Universo está sofrendo uma expansão. Contudo, se a intensidade da gravidade fosse um pouquinho maior, ele se contrairia, sofrendo um colapso, não deixando tempo para que a vida se desenvolvesse. Sendo fraca demais, ocorreria a expansão, porém não se formariam estrelas ou galáxias para abrigar a vida.

A lista de "coincidências" é enorme. Como exemplos, temos:

·     Caso a força elétrica entre elétrons diferisse um pouco, a vida como a conhecemos não seria possível;
·     O próton (partícula do núcleo do átomo) e sua estabilidade;
·     A existência de elementos químicos mais pesados (como o carbono, base da vida como a conhecemos);
·     O tamanho das estrelas.

Enfim, tudo no universo mostra uma fina sintonia para o surgimento da vida em suas formas mais complexas. Água e moléculas orgânicas, por exemplo, são comuns no universo.
O próprio surgimento da vida, com toda a sua sofisticada organização e imensa complexidade (principalmente a nível molecular), bem como sua evolução, até hoje, são enigmas. Para evoluir até o homem, ela passou por misteriosos saltos evolutivos entre as espécies (o que pode ser demonstrado nas numerosas lacunas nos registros fósseis da história da vida na Terra) que não podem ser explicados pelo acaso. A esse respeito só existem teorias um tanto especulativas, que contam com eventos aleatórios de baixíssima probabilidade, baseadas no materialismo.

Um dos grandes cientistas do século XIX, tendo sido professor de Psiquiatria da Universidade de Turim e pesquisador dos fenômenos espíritas, Cesare Lombroso, em sua obra “Hipnotismo e Mediunidade”, no Capítulo XIII, nos diz:
“O fato de que em todos os tempos e em todos os povos esteve viva a crença em algo invisível, que sobrevive à morte do corpo, e que, sob o influxo de condições especiais, pode manifestar-se aos nossos sentidos, torna-nos propensos a aceitar a hipótese espiritista.
Que nossos mais antigos progenitores acreditavam, se não na imortalidade da alma, ao menos em sua existência temporária depois da morte, - é opinião comum dos antropólogos, os quais observam, com Figuier (na obra “L’Homme primitiff”), que os víveres, as lâmpadas, as armas, as moedas, os objetos de ornamento depositados, até nas épocas pré-históricas, nas tumbas, ao lado de cadáveres, mostram claramente a crença em uma vida futura.
E essa mesma crença nós a encontramos ainda junto de todos os povos selvagens, mesmo entre aqueles que têm de Deus uma idéia extremamente vaga, ou não na têm de maneira alguma”
E, na mesma obra e capítulo, o autor segue dando exemplos, alguns nós transcrevemos no texto "O Que São Médiuns - Parte 2", neste blog.

Ilustres cientistam, antes refratários a qualquer possibilidade de vida após a morte, foram os mesmos que, após inúmeras e rigorosas experiências, confirmaram a existência dos Espíritos, de suas comunicações com os encarnados e do mundo espiritual (Ver o texto “Ilustres Cientistas Confirmaram: A Alma Sobrevive à Morte”, neste blog).
Experiências recentes na Inglaterra, onde ocorreram fenômenos mediúnicos semelhantes aos obtidos nas experiências acima citadas, foram realizadas sob a fiscalização da rigorosa Society for Psichical Research, de Londres (Ver o texto “Uma Recente e Interessantíssima Pesquisa Sobre Fenômenos Espíritas”, neste blog).
Temos o caso do mais famoso médium brasileiro, Francisco Cândido Xavier, mais conhecido como Chico Xavier. Tendo psicografado mais de 400 livros e inúmeras cartas, por diversos Espíritos, forneceu um volumoso conjunto de provas da sobrevivência. Em alguns de seus livros, antecipou descobertas científicas que só seriam anunciadas muitos anos depois, e em suas diversas cartas psicografadas, havia detalhes fornecidos pelos falecidos, às vezes coisas muito íntimas, que só os parentes poderiam ter conhecimento, consolando muitos familiares saudosos. Inclusive ocorreram casos de cartas ditadas em outras línguas, desconhecidas do médium (ver o texto “Existe Vida Após a Morte?” neste blog). É fato digno de nota que Chico Xavier vendeu mais de 50 milhões de exemplares dos seus livros, porém toda a renda foi revertida para instituições de caridade, pois o médium fazia questão de sobreviver apenas da sua aposentadoria como ex-funcionário do Ministério da Agricultura, vivendo modestamente até seu desencarne. Como ele mesmo dizia: “Estas obras não me pertencem. Pertencem aos Espíritos que as ditaram.”
Os Espíritos mostraram ser possível se comunicarem, com os encarnados, através de equipamentos eletrônicos (ver o texto “Os Espíritos se Comunicam Através de Equipamentos Eletrônicos ? Parte 1 e Parte 2, neste blog).
A reencarnação mostrou ser muito mais que uma mera crença ou teoria, pela sua ampla confirmação através de  inúmeras pesquisas realizadas ao redor do mundo (Ver o texto “Fortes Evidências da Reencarnação”, neste blog).
A transmissão do pensamento entre duas pessoas, através um meio totalmente desconhecido pela ciência, foi amplamente demonstrada em laboratório (Ver o texto “Transmissão do Pensamento (Telepatia) é Amplamente Demonstrada em Laboratório”, neste blog). Isso confirma o que os Espíritos nos disseram acerca da comunicação entre os Espíritos, do Fluido Cósmico Universal, da matéria e fluidos espirituais. Outro estudo recente demonstrou a existência desses fluidos, que podem ser utilizados com fins terapêuticos (Ver o texto “O Passe Espírita é Estudado Pela Universidade”, neste blog).
A independência da alma, relativamente ao cérebro, a existência do corpo espiritual (Perispírito) e o fenômeno de afastamento deste corpo espiritual do corpo físico (desdobramento espiritual), mesmo estando este ainda vivo, e da existência do mundo espiritual, foram exaustivamente demonstrados. Isto se deu através de um estudo feito na USP com deficientes mentais, de vários testemunhos, inclusive com registros históricos, dos desdobramentos espirituais e inúmeros casos de um tipo especial deste, as chamadas “Experiências de Quase-Morte” (Ver os textos “Terapia Mediúnica Mostra-se Eficaz em Pesquisa na USP”, “O Mundo Espiritual” e “As Experiências de Quase-Morte”, neste blog).
Através de uma recentíssima pesquisa, demonstrou-se que a mente do médium não é responsável pelas comunicações dadas pelos Espíritos através da psicografia. Ou seja, as comunicações são mesmo dos desencarnados, e não produto da imaginação e do raciocínio do médium (Ver o texto “Cientistas Investigaram o Cérebro de Médiuns Durante a Psicografia – Com Resultados Surpreendentes”, neste blog).
Os Espíritos da Codificação também nos disseram que a origem dos Espíritos se encontra nos seres inferiores da Criação. Durante essa fase, pode ser chamado de Princípio Inteligente, onde se individualiza, se elabora e se ensaia para a futura vida como Espírito na espécie humana. Adquire, no decorrer de várias existências em diferentes espécies de seres vivos, cada vez mais inteligência e sensibilidade. Ocorre que, recentemente, cientistas demonstraram que os animais têm consciência, ou seja, estados mentais, sentimentos, ações intencionais e inteligência (ver o texto “Os Animais Possuem Alma?”, neste blog).
A Pluralidade dos Mundos Habitados está cada vez mais perto de ser constatada, à medida em que se aperfeiçoam os instrumentos de observação do espaço. Cientistas estimam que, só na nossa galáxia, existam bilhões de planetas com condições para abrigar a vida como a conhecemos, e já se especula a existência de vida em outros universos (ver o texto “A Pluralidade dos Mundos Habitados 5 – Qual a Origem da Vida?”, neste blog).

Como disse o Mestre Jesus: “Quem tiver olhos de ver, veja”.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

1 KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro : Editora FEB,1995.;

2_______________ . O Evangelho segundo o Espiritismo. São Paulo : Editora Petit, 1997.;

3________________.A Gênese: Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Editora FEB, 1988.

segunda-feira, 4 de março de 2013

TRANSMISSÃO DO PENSAMENTO (TELEPATIA) É AMPLAMENTE DEMONSTRADA EM LABORATÓRIO


Fonte da imagem: http://www.reymisterios.com/videos/enigmas/Telepatia/La-telepatia-existe-hay-pruebas-cientificas-l280.html

Fábio José Lourenço Bezerra

            Na pergunta Nº 282 de “O Livro dos Espíritos”, temos: “Como se comunicam entre si os Espíritos?”
            Resposta: “Eles se veem e se compreendem. A palavra é material: é o reflexo do Espírito. O fluido universal estabelece entre eles constante comunicação; é o veículo do pensamento como, para vós, o ar é o do som. É uma espécie de telégrafo universal, que liga todos os mundos e permite que os Espíritos se correspondam de um mundo a outro.”
           
Na pergunta Nº 420 da mesma obra, temos: “Podem os Espíritos comunicar-se, estando completamente despertos os corpos?”
            Resposta: “O Espírito não se acha encerrado no corpo como numa caixa; irradia por todos os lados. Segue-se que pode comunicar-se com outros Espíritos, mesmo em estado de vigília, se bem que mais dificilmente.”

       Na pergunta Nº 421, temos: “Como se explica que duas pessoas, perfeitamente acordadas, tenham instantaneamente a mesma ideia?”
          Resposta: “São dois Espíritos simpáticos que se comunicam e veem reciprocamente seus pensamentos respectivos, embora sem estarem adormecidos os corpos.”

            No nosso texto anterior O Mundo Espiritual, neste blog, já havíamos falado a respeito do Fluido Cósmico Universal que, conforme os Espíritos da codificação, é o único elemento primitivo, cujas combinações e modificações dão origem tanto à matéria do nosso mundo material quanto à do mundo espiritual. Esse elemento encontra-se presente, de forma abundante, tanto no mundo espiritual quanto no mundo material, no qual ambos estão imersos.
No texto O Mundo Espiritual – Parte 2, falamos que, assim como as estações de rádio FM emitem ondas nas mais diversas freqüências, transportando através delas sua programação, os Espíritos irradiam seus pensamentos, através de energia emitida pelo seu corpo espiritual, que são captados por outros Espíritos sintonizados com eles. Da mesma forma que os ouvintes escutam sua programação sintonizando com determinada estação, ao ajustar o seletor do aparelho de rádio na freqüência correta. Fluido Cósmico Universal é o veículo do pensamento, assim como, no mundo material, o ar transporta o som.

Em seu livro “Mentes Interligadas”, editado no Brasil pela Aleph, o cientista Dean Radin, mestre em Engenharia Elétrica e PhD em Psicologia pela Universidade de Illinois, menciona experiências que, se ignoradas, conforme o próprio autor diz em seu livro, seria como perder a notícia da “aterrissagem de alienígenas no gramado da Casa Branca”.
Trata-se de experiências de “correlação eletroencefalográfica” entre pares de pessoas separadas fisicamente.  Eletroencefalograma (EEG) é um equipamento médico que detecta o padrão das ondas elétricas cerebrais, gerando um gráfico através do qual o médico pode analisar a normalidade do funcionamento do cérebro.
As experiências supracitadas são realizadas da seguinte forma:  Um determinado indivíduo, chamado emissor, é ligado ao EEG e estimulado sensorialmente, como, por exemplo, através de uma luz que pisca de tempos em tempos. O objetivo disso é que uma parte do cérebro deste indivíduo dê um salto elétrico de maneira previsível, e então observa-se o EEG de outro indivíduo separado fisicamente daquele (receptor), para verificar se ocorreu um salto semelhante na mesma hora (ver figura abaixo).

As duas primeiras dessas experiências ocorreram nos anos 60. A primeira delas foi realizada por Charles Tart, na Universidade da Califórnia, tendo sido publicada, em 1963, no International Journal of Parapsychology . A outra, com a participação de gêmeos idênticos, foi publicada na importante revista científica Science, em 1965. Os artigos acima estimularam a realização de dez réplicas, feitas por oito grupos de estudo distintos em diversas partes do globo. Desses dez estudos, oito tiveram resultado positivo, sendo que um deles foi publicado em uma das mais conceituadas revistas do planeta, a Behavioral Neuroscience.
Na Universidade Nacional Autônoma, no México, o psicofisiologista Jacobo Grinberg-Zylberbaum e outros cientistas, cerca de dez anos após as experiências acima citadas, realizaram uma série de estudos onde detectaram, através do EEG, respostas cerebrais simultâneas em pares de pessoas estudadas separadamente.  Um deles foi publicado na revista científica Physics Essays. Esta publicação também estimulou vários outros cientistas a repetirem o experimento. No ano de 2003, uma dessas repetições foi realizada com sucesso, pelo especialista em EEG Jiri Wackermann que, juntamente com seus colegas, aperfeiçoou o método de investigação em vários pontos. A experiência foi publicada na revista Neuroscience Letters. Eis a conclusão da equipe de estudos de Wackermann:

“Estamos enfrentando um fenômeno que nem é fácil de descartar como falha metodológica ou artefato técnico, nem em ser entendido em sua natureza. Nenhum mecanismo biofísico conhecido na atualidade poderia ser responsabilizado pelas correlações observadas entre os EEGS de dois sujeitos experimentais separados.”

Outro experimento semelhante que obteve êxito foi realizado na Universidade Bastyr, por Leanna Standish e sua equipe. Dessa vez, utilizaram no indivíduo receptor (aquele que recebe o pensamento emitido pelo outro indivíduo telepaticamente) um aparelho de ressonância magnética funcional, capaz de visualizar o funcionamento de áreas específicas do cérebro. Antes da realização do experimento, examinaram trinta pares de indivíduos até encontrar o par capaz de correlacionar-se confiavelmente. Separaram os indivíduos, estimularam o emissor através de uma luz que piscava, verificando, através do aparelho de ressonância, que o receptor tinha aumentada, de forma significativa e ao mesmo tempo, a atividade de sua área do cérebro responsável pela visão, o córtex visual. Este mesmo grupo repetiu plenamente o sucesso deste experimento, em realização posterior. O estudo foi publicado na revista médica Alternative Therapies In Health and Medicine.
No ano de 2004, três outros estudos posteriores, independentes, foram realizados com total êxito. Um deles foi publicado no Journal of Alternative and Complementary Medicine.
Outros estudos, além dos que citamos, foram realizados com sucesso, inclusive pelo próprio Dean Radin, utilizando-se de uma câmara com escudos eletromagnéticos e acústicos, onde ficava o receptor, para garantir que nenhum meio físico conhecido, embora imperceptível, fosse responsável pela transmissão do pensamento.
Troca de informações instantâneas, independente da distância entre emissor e receptor, e através de um meio totalmente desconhecido pela ciência, ocorrem comprovadamente na natureza. Conforme já nos referimos no texto Por Que Ser Espírita?, neste blog, duas partículas subatômicas (elétrons, por exemplo), estando inicialmente em contato, podem trocar informações entre si de forma instantânea, não importando a distância a que estejam afastadas uma da outra, se de centímetros ou de milhões de quilômetros. E isto sem nenhuma conexão física conhecida entre elas. Seria como se eu, aqui no Brasil, estalasse os dedos e alguém no Japão fizesse a mesma coisa no mesmo instante, sem nenhum meio de comunicação entre nós. Einstein chamou isso de “efeito fantasmagórico à distância”. Esse efeito, cuja existência é experimentalmente comprovada, e a respeito do qual a ciência ainda não tem nenhuma explicação, é hoje conhecido como Entrelaçamento Quântico.
 Assim, um conceito que os Espíritos nos legaram há mais de 150 anos atrás, a transmissão do pensamento, só recentemente, com o avanço da ciência e da tecnologia, pôde ser comprovado em laboratório. E com todo o rigor científico.  Contudo, mais uma vez verificamos que boa parcela da comunidade científica, composta por crentes materialistas, preferiu ignorar um fato como este, que desafia o modelo de universo que pregam, apesar das graníticas evidências que possui o mesmo.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

1 KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro : Editora FEB,1995.;

2 RADIN, Dean. Mentes interligadas: evidências científicas da telepatia, da clarividência e de outros fenômenos psíquicos. São Paulo: Editora Aleph, 2008;

3 GOSWAMI, Amit. A física da alma: a explicação científica para a reencarnação, a imortalidade da alma e experiências de quase-morte. São Paulo: Editora Aleph, 2005.

sexta-feira, 1 de março de 2013

OS ESPÍRITOS INFLUENCIAM NOSSAS VIDAS? PARTE 2 – A INFLUÊNCIA DOS BONS ESPÍRITOS


Fonte da imagem: http://oblogdosespiritas.blogspot.com.br/2012/02/quem-seria-o-meu-espirito-protetor.html

Fábio José Lourenço Bezerra

            Dando continuidade ao nosso texto Os Espíritos Influenciam Nossas Vidas?, neste blog, vamos tratar da atuação dos bons Espíritos durante o transcurso de nossas existências. Vejamos o que escreveu Allan Kardec em sua obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no Capítulo XXVIII, parte II:

“Todos temos, ligado a nós, desde o nosso nascimento, um Espírito bom, que nos tomou sob a sua proteção. Desempenha, junto de nós, a missão de um pai para com seu filho: a de nos conduzir pelo caminho do bem e do progresso, através das provações da vida. Sente-se feliz, quando correspondemos à sua solicitude; sofre, quando nos vê sucumbir.
Seu nome pouco importa, pois bem pode dar-se que não tenha nome conhecido na Terra. Invocamo-lo, então, como nosso anjo guardião, nosso bom gênio. Podemos mesmo invocá-lo sob o nome de qualquer Espírito superior, que mais viva e particular simpatia nos inspire.
Além do Anjo guardião, que é sempre um Espírito superior, temos Espíritos protetores que, embora menos elevados, não são menos bons e magnânimos. Contamo-los entre amigos, ou parentes, ou, até, entre pessoas que não conhecemos na existência atual. Eles nos assistem com seus conselhos e, não raro, intervindo nos atos da nossa vida.”
“[...] Deus, em o nosso anjo guardião, nos deu um guia principal e superior e, nos Espíritos protetores e familiares, guias secundários. Fora erro, porém, acreditarmos que forçosamente, temos um mau gênio ao nosso lado, para contrabalançar as boas influências que sobre nós se exerçam. Os maus Espíritos acorrem voluntariamente, desde que achem meio de assumir predomínio sobre nós, ou pela nossa fraqueza, ou pela negligência que ponhamos em seguir as inspirações dos bons Espíritos. Somos nós, portanto, que os atraímos. Resulta desse fato que jamais nos encontramos privados da assistência dos bons Espíritos e que de nós depende o afastamento dos maus. Sendo, por suas imperfeições, a causa primária das misérias que o afligem, o homem é, as mais das vezes, o seu próprio mau gênio.
A prece aos anjos guardiães e aos Espíritos protetores deve ter por objeto solicitar-lhes a intercessão junto de Deus, pedir-lhes a força de resistir às más sugestões e que nos assistam nas contingências da vida.”

            E Allan Kardec fez constar, sobre o assunto, a seguinte comunicação dos Espíritos Superiores na obra “O Livro dos Espíritos”, no Capítulo IX, na resposta da pergunta Nº 495:

“É uma doutrina, esta, dos anjos guardiães, que, pelo seu encanto e doçura, devera converter os mais incrédulos. Não vos parece grandemente consoladora a idéia de terdes sempre junto de vós seres que vos são superiores, prontos sempre a vos aconselhar e amparar, a vos ajudar na ascensão da abrupta montanha do bem; mais sinceros e dedicados amigos do que todos os que mais intimamente se vos liguem na Terra? Eles se acham ao vosso lado por ordem de Deus. Foi Deus quem aí os colocou e, aí permanecendo por amor de Deus, desempenham bela, porém penosa missão. Sim, onde quer que estejais, estarão convosco. Nem nos cárceres, nem nos hospitais, nem nos lugares de devassidão, nem na solidão, estais separados desses amigos a quem não podeis ver, mas cujo brando influxo vossa alma sente, ao mesmo tempo que lhes ouve os ponderados conselhos.”
“Ah! se conhecêsseis bem esta verdade! Quanto vos ajudaria nos momentos de crise! Quanto vos livraria dos maus Espíritos! Mas, oh! quantas vezes, no dia solene, não se verá esse anjo constrangido a vos observar: ‘Não te aconselhei isto? Entretanto, não o fizeste. Não te mostrei o abismo? Contudo, nele te precipitaste! Não fiz ecoar na tua consciência a voz da verdade? Preferiste, no entanto, seguir os conselhos da mentira!’ Oh! interrogai os vossos anjos guardiães; estabelecei entre eles e vós essa terna intimidade que reina entre os melhores amigos. Não penseis em lhes ocultar nada, pois que eles têm o olhar de Deus e não podeis enganá-los. Pensai no futuro; procurai adiantar-vos na vida presente. Assim fazendo, encurtareis vossas provas e mais felizes tornareis as vossas existências. Vamos, homens, coragem! De uma vez por todas, lançai para longe todos os preconceitos e idéias preconcebidas.Entrai na nova senda que diante dos passos se vos abre. Caminhai! Tendes guias, segui-os, que a meta não vos pode faltar, porquanto essa meta é o próprio Deus.”
“Aos que considerem impossível que Espíritos verdadeiramente elevados se consagrem a tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que nós vos influenciamos as almas, estando embora muitos milhões de léguas distantes de vós. O espaço, para nós, nada é, e, não obstante viverem noutro mundo, os nossos Espíritos conservam suas ligações com os vossos. Gozamos de qualidades que não podeis compreender, mas ficai certos de que Deus não nos impôs tarefa superior às nossas forças e de que não vos deixou sós na Terra, sem amigos e sem amparo. Cada anjo de guarda tem o seu protegido, pelo qual vela, como o pai pelo filho. Alegra-se, quando o vê no bom caminho; sofre, quando ele lhe despreza os conselhos.”
“Não receeis fatigar-nos com as vossas perguntas. Ao contrário, procurai estar sempre em relação conosco. Sereis assim mais fortes e mais felizes. São essas comunicações de cada um com o seu Espírito familiar que fazem sejam médiuns todos os homens, médiuns ignorados hoje, mas que se manifestarão mais tarde e se espalharão qual oceano sem margens, levando de roldão a incredulidade e a ignorância. Homens doutos, instruí os vossos semelhantes; homens de talento, educai os vossos irmãos. Não imaginais que obra fazeis desse modo: a do Cristo, a que Deus vos impõe. Para que vos outorgou Deus a inteligência e o saber, senão para os repartirdes com os vossos irmãos, senão para fazerdes que se adiantem pela senda que conduz à bem-aventurança, à felicidade eterna?”

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
                          
1 KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro : Editora FEB,1995.;

2_______________ . O Evangelho segundo o Espiritismo. São Paulo : Editora Petit, 1997.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

REENCARNAÇÃO: IGUALDADE ENTRE OS SEXOS, RAÇAS, CLASSES SOCIAIS, CULTURAS E CRENÇAS PERANTE DEUS, E FONTE DA LIBERDADE DO ESPÍRITO



Fonte da imagem: http://www.educarbrasil.org.br/publicacoes/diversidade-cultural-e-educacao/



Fábio José Lourenço Bezerra

           O Espírito, em sua jornada evolutiva (ver o texto “Evolução: A Jornada do Espírito”, neste blog), passa por diversas encarnações no mundo material, com a finalidade de adquirir experiência e, como consequência, sua perfeição intelecto-moral. Nesse processo, ele se reveste de corpos materiais de ambos os sexos, raças, nas mais diversas culturas e adota as mais diferentes crenças. Isso sem falarmos nas mais diferentes situações por que passam durante essas vidas: a riqueza, a pobreza, a saúde, beleza física ou ausência dela, diferentes doenças e gêneros de morte, seus e de pessoas de sua afeição. Imagine a bagagem intelecto-emocional adquirida por este Espírito, submetendo-se a esses tão diferentes contextos!
Uma vez que Deus é soberanamente justo, trata de forma igual todos os seus filhos, sem distinção de qualquer tipo. A reencarnação é uma demonstração disso. Sem ela, como explicar que existam pessoas sofrendo na miséria ao lado de outras que vivem na opulência? Umas já nascem com terríveis doenças congênitas, enquanto outras passam toda uma vida cheias de saúde? Gênios ao lado de pessoas de pouca inteligência? Só as vidas sucessivas, juntamente com a Lei de Causa e Efeito, podem explicar essas aparentes injustiças (ver o texto “Por que Devemos Fazer o Bem? neste blog).
Uma das consequências da reencarnação é a igualdade entre os sexos e as raças. Estando hoje o Espírito encarnado no corpo de um homem, pode vir a reencarnar como mulher; se hoje é branco, amanhã poderá ser negro. Uma vez que se toma consciência disso, tem-se um poderoso motivo para abandonar-se os preconceitos de sexo e raça, que ainda persiste no mundo em pleno século XXI. O mesmo ocorre com as classes sociais, pois alguém pode ser rico hoje, e numa próxima vida pode, até mesmo, nascer na extrema miséria.
Quanto às culturas, torna-se sem fundamento discriminar alguém por nascer em determinado país, pois o Espírito poderá renascer em qualquer um, dependendo do que seja necessário para seu aprendizado. Como consequência disso, faz parte de famílias que adotam os mais diferentes tipos de culturas e crenças e, devido à essa influência, pode vir a adotar qualquer uma delas.
O ensinamento essencial, comum à praticamente todas as religiões, mesmo as não cristãs, é amar ao próximo como a si mesmo, ou seu equivalente: não desejar ao próximo o que não se quer para si (ver o texto “Por Que Devemos Fazer o Bem ?, neste blog). Ocorre que, ao longo dos séculos, muitas delas deixaram esse ensinamento em segundo plano, sobrepondo a ele dogmas e rituais.
A finalidade da reencarnação é, justamente, a evolução moral do Espírito, a ponto de, ao final da jornada, ser capaz de amar incondicionalmente o seu semelhante, juntamente com o pleno desenvolvimento intelectual. Algo, diga-se de passagem, impossível de se alcançar em uma só vida. Consequentemente, o Espírito não depende da adoção de uma crença particular para alcançar o paraíso, ou seja, entrar em comunhão com Deus e evitar os suplícios eternos do inferno (como pregam certas doutrinas). Ora, se sofrer eternamente ou não após a morte depende da adoção de determinada crença, então porque várias pessoas, diariamente, morrem sem nada conhecer da mesma? (por exemplo, um indiano que nunca ouviu sequer falar de Jesus) E os milhões que morreram no passado sem conhecê-la? Caso sejam salvos porque não conheceram essa crença, porque este privilégio, enquanto outros são apresentados a ela, arriscando-se a não aceitá-la? Se não são salvos, porque então nasceram impossibilitados de conhecê-la? Estariam destinados à condenação desde o momento do seu nascimento; Se Deus é bom, então porque ele não daria mais oportunidades para arrependimento, antes de jogar seu filho em um suplício eterno? Se alguém, por exemplo, viveu 20 anos e não adotou a crença supracitada, morrendo e indo para o inferno, será que se pudesse ter vivido até os 100 anos (como muitos vivem atualmente), durante os 80 anos restantes não poderia ter se arrependido e, assim, ganho o céu? E enquanto arde no inferno, será que também aí não poderia se arrepender? Se sim, então porque Deus não lhe daria uma chance?
Evidentemente que, se Deus é infinitamente bom, Ele dá infinitas oportunidades para que os seus filhos venham a habitar o seu seio. Entrar em comunhão com Deus depende da vontade e da iniciativa de progredir do Espírito, sendo este livre para estacionar ou avançar na senda do progresso por seu próprio esforço, e a lei fundamental da evolução espiritual é o exercício do amor.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
                          
1 KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro : Editora FEB,1995.;

2_______________ . O Evangelho segundo o Espiritismo. São Paulo : Editora Petit, 1997.;

3________________.A Gênese: Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Editora FEB, 1988.